Juiz nega liberdade a atropelador
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quarta-feira, 29 de julho de 1998
Lúcio Horta 
O juiz substituto Abílio Thadeu Melo Sodré de Freitas, da Vara Criminal de Cambé, indeferiu segunda-feira pedido de liberdade provisória para o estudante Rafael Kaczor, de 21 anos, que atropelou e matou Maria Cristina Donegar, de 19. O acidente ocorreu quinta-feira da semana passada, na BR-369, próximo de Cambé. Teste de bafômetro acusou que Kaczor estava embriagado. Ele foi preso em flagrante e está detido na delegacia de Cambé.
Abílio de Freitas disse ontem à Folha que negou o pedido de liberdade provisória, entre outros motivos, para resgardar a segurança física do estudante. O juiz lembra que, em geral, todos os acusados de crime que não têm antecedentes, como é o caso de Rafael, aguardam o processo em liberdade. A morte de Maria Cristina, no entanto, ganhou destaque da imprensa e gerou revolta popular pela forma como ela foi atropelada.
Também ontem o Instituto de Criminalística concluiu o laudo sobre o atropelamento que matou Maria Cristina. Segundo o perito Marco Antonio Otta, responsável pelo trabalho, não foi possível determinar a velocidade do veículo conduzido por Rafael na hora do acidente. Ele explica que foram encontradas três marcas de frenagem no asfalto e que, para determinar com precisão a velocidade do veículo, o ideal seria uma só marca contínua.
Otta diz que a primeira marca de frenagem, onde ocorreu o impacto entre veículo e pedestre, tem aproximadamente 4,9 metros de extensão. Neste momento, observa, Rafael trafegava na terceira pista da rodovia - onde há entrada para Cambé -, do lado direito, e por isso o atropelamento ocorreu em área de rodagem e não no acostamento, como chegou a ser divulgado.
O laudo mostra ainda que depois de uma pequena interrupção houve nova frenagem, logo interrompida. E, por fim, outra frenagem, com cerca de nove metros de extensão, já no acostamento - que começa assim que termina a terceira pista. O perito observa que somente as rodas do lado direito do veículo produziram marcas no asfalto.
A delegada de Cambé, Geane dos Santos, que investiga o caso, afirmou ontem que espera concluir o inquérito até o final da semana, depois de receber os laudos da criminalística e do IML. O fato de Maria Cristina não ter sido atropelada no acostamento, diz ela, como apontou o laudo da criminalística, não melhora a situação do estudante. Ela lembra que a terceira via da pista normalmente é utilizada apenas para acesso dos veículos que entram e saem de Cambé.
Se ele continuasse, iria parar no acostamento, observa. Além disso, diz, o nível de dosagem alcóolica de Rafael, medido através do bafômetro, estava muito acima do permitido - 14,4 decigramas de álcool por litro de sangue, quando o máximo é 7,9. O estudante foi preso em flagrante e indiciado por homicídio doloso (dolo eventual), porque assumiu o risco de causar acidentes ao dirigir embriagado.


