Juiz nega interferência para nomeação do diretor da PEL
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quarta-feira, 17 de setembro de 1997
Paulo Ubiratan 
Londrina
O juiz da Vara de Execuções Penais de Londrina, Roberto do Valle, afirmou ontem à tarde à Folha que não interferiu, junto à Secretaria da Justiça e Cidadania, para a nomeação do advogado Luis Carlos Munhoz para a direção da Penitenciária Estadual de Londrina no lugar de Francisco Melatti. Para o juiz, o boato levantado sobre sua interferência foi motivado por suas denúncias de irregularidades contra a atual direção da PEL.
Não é do meu feitio interferir em atos administrativos. Na realidade há menos de quatro meses fizemos denúncias ao secretário Edson Vidal de irregularidades que vêm ocorrendo na PEL. Na ocasião, também enfatizamos que em determinadas ocasiões as relações de trabalho entre a Vara de Execuções e a direção daquele orgão são problemáticas, afirmou o juiz. Ele não quis revelar as denúncias feitas, justificando tratar-se de ordem interna da própria Secretaria de Justiça. Ontem à tarde, o juiz chegou a falar com a vice-governadora Emilia Belinati, explicando que não interferiu na nomeação de Munhoz.
O advogado deveria assumir a direção da PEL anteontem à tarde mas, a pedido da vice-governadora, a posse foi transferida. A nova data não foi marcada. A transferência aconteceu, segundo Emília, para que as lideranças de Londrina fossem consultadas a respeito da mudança.
A mudança da direção provocou manifestação, na última terça-feira, dos funcionários da PEL. Eles queriam saber os motivos da mudança da direção e chegaram a ir até a Prefeitura. Pediram a intervenção do prefeito Antonio Belinati, junto ao Governo Estadual, para que suspendesse a nomeação de Munhoz. Um dos pontos de insatisfação dos funcionários foi também a vinda do agente de segurança Cristovão Almeida, de Curitiba, para chefiar a equipe da PEL.


