Sandra Mara Mendes
De Francisco Beltrão
Especial para a Folha
O juiz Mauro Modin, de Quedas do Iguaçu, indeferiu o pedido de liberdade provisória e decidiu pela manutenção da prisão em flagrante dos nove sem-terra indiciados por furto de erva-mate em uma área de reflorestamento da empresa Araupel. Por causa da intensa chuva não houve manifestações do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) no Fórum da cidade para pressionar o juiz pela liberdade provisória dos acusados.
Cerca de 300 policiais militares de Cascavel e do GOE (Grupo de Operações Especiais) estão em Quedas do Iguaçu para fazer a guarda do Fórum e Delegacia de Polícia. Existem ameaças de invasões em novas áreas e ameaças de morte ao juiz, promotor e delegado de Quedas do Iguaçu. O delegado Ítalo Biancardi Neto disse que existem provas documentais das ameaças de morte.
O promotor Cláudio César Cortesia disse que o pedido de liberdade provisória será revisto após o interrogatório dos indiciados. O juiz não manifestou nenhum parecer em relação às empresas ervateiras receptadoras. O pedido de preventiva por receptação qualificada foi enviado anteontem pelo Ministério Público ao juiz Mauro Modin.
Segundo Biancardi, a Polícia Civil encontrou novas provas incriminando o líder sem-terra Maurílio Silvério Borges e os proprietários das ervateiras. As provas são três notas fiscais de produtor, emitidas por Borges, totalizando 17 toneladas de erva-mate em folha. O delegado disse que as notas têm data de dezembro e janeiro, o que pode agravar a situação dos acusados para furto qualificado com furto continuado.
No dia 7, nove trabalhadores foram presos em flagrante por furto de erva-mate, em área da empresa Araupel. A Polícia Militar apreendeu dois caminhões com carga avaliada em R$ 2.200,00. Os sem-terra Maurílio Silvério Borges, Dico José Mendes, Joel Martins de Oliveira, João Alberi da Costa, Ireno Carvalho, Jair Taborda, Francisco Dalmazio Henges, Francisco Ribeiro de Camargo e Rui Jesus de Camargo foram enquadrados em furto qualificado e formação de quadrilha. Eles confessaram que estavam retirando erva-mate da Araupel há 60 dias.
O líder do MST na região centro-oeste Osvaldo Natalício Cândido da Silva disse à Folha que o movimento quer negociar com a Justiça que o interrogatório dos sem-terra presos aconteça até o final de semana. Silva afirma que não há intenção de radicalizar e nega denúncias de ameaças de morte a autoridades de Quedas do Iguaçu. A intenção do MST é negociar o fim das prisões de sem-terra em todo o Estado.

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