Ibiporã O juiz da Vara Criminal do Fórum de Ibiporã (14 km a leste de Londrina), Sérgio Aziz Neme, indeferiu ontem o pedido de revogação de prisão do delegado afastado do município, José Antônio Zuba de Oliva, 41 anos, e dos escrivães Otacílio Sales Grube, 43 anos, e Sebastião Aparecido de Oliveira, 54 anos. Os três policiais civis e outros três policiais rodoviários foram presos em dezembro do ano passado sob a acusação de concussão (extorsão praticada por funcionários públicos). O mesmo juiz acolheu o pedido do promotor da Vara Criminal, Renato de Castro Lima, para que seja realizada uma perícia médica no delegado afastado, que está internado há semanas em uma clínica de Londrina.
Segundo o parecer do juiz, as prisões preventivas de Zuba e dos dois escrivães se justificam para ''garantia da ordem pública e por conveniência da instrução criminal''. De acordo com ele, a revogação das prisões não estava condicionada ao término da oitiva das testemunhas de acusação, que ocorreu no início de fevereiro. O juiz argumentou que a decretação das prisões, no início do processo, foi acatada para ''preservar a credibilidade do Estado e da Justiça, em face da intranquilidade que os crimes de determinada natureza causam na sociedade, em especial em virtude da condição das pessoas envolvidas (...)''. Para Neme, ao contrário do que pedia a defesa, se fossem soltos os réus poderiam obstruir a produção de provas.
O juiz citou ainda que a vítima da suposta extorsão, a estudante de Direito Sandra Cristina Rosa, procurou o cartório da Vara Criminal na última semana para declarar que estava sendo pressionada. Rosa afirmou que o advogado de defesa de Zuba, Nilton Roberto da Silva Simão, a procurou um dia antes dela depor à Justiça para pedir que ela omitisse informações. Rosa acabou reafirmando a denúncia contra os policiais. O advogado confirmou o encontro à Folha mas alegou que pediu apenas que ela dissesse a verdade.
Afora a manutenção das prisões, o juiz aceitou a solicitação do promotor para que Zuba passe por uma perícia médica, com um profissional indicado pela Secretaria de Estado de Segurança Pública. O promotor argumenta que Zuba foi internado com base em prova unilateral apresentada pela defesa de que estaria depressivo e sofrendo, entre outros problemas, de hipertensão. Se a perícia não comprovar a necessidade de internação, Zuba deverá voltar para uma cela especial no 2º Distrito Policial de Londrina. Caso fique comprovado que existe a necessidade de tratamento médico, ele poderá ser transferido para o Complexo Médico Penal, em Curitiba.
Zuba, os dois escrivães e mais três policiais rodoviários foram presos pela Promotoria de Investigações Criminais (PIC) de Londrina, em dezembro do ano passado. Segundo a denúncia, após deterem Rosa e o marido José Ricardo de Almeida, que eram suspeitos de receberem tratores roubados, os policiais teriam exigido o carro do casal um Passat alemão avaliado em R$ 15 mil como pagamento para livrá-los da prisão em flagrante.

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