Juiz manda lacrar balneário Thermas
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 09 de maio de 1997
Paulo Ubiratan 
O juiz substituto da 2ª Vara Cível do Fórum de Londrina, Alberto Júnior Veloso, mandou lacrar ontem à tarde a sede campestre do balneário Thermas de Londrina, or 2intermédio de um mandado de medida cautelar. Ele nomeou, também ontem à tarde, Benedito Antoniassi como administrador provisório da entidade. O juiz explicou que a liminar foi concedida com o objetivo de preservar o acervo patrimonial do clube e os direitos dos sócios.
O administrador provisório do clube representa a Associação dos Sócios do Balneário Thermas de Londrina (Asther) e toma posse oficialmente na próxima segunda-feira.
Foram lacrados a sede campestre, localizada na região da Estrada do Limoeiro (zona sul), e o escritório da Administração e Representação Limitada (Inagap), que fica na rua Goiás (centro). Todos os documentos contábeis foram entregues pelos oficiais de Justiça ao diretor provisório Benedito Antoniassi. Nos dois locais, ontem, estavam apenas funcionários.
José Abrahão da Silva e Celso Luiz Nogueira foram os oficiais de Justiça que cumpriram a liminar do mandado de medida cautelar. Eles estavam acompanhados or 2Benedito Antoniassi e a advogada Vera Lúcia Antoniassi Veronez, que presta assistência à associação dos sócios.
No documento em que justifica a ação de ontem, o juiz Alberto Júnior Veloso diz que o Thermas de Londrina estava sem qualquer administração. Foram citados na intimação as empresas Jacomossi Participações e Empreendimentos, Thermas Participações e Serviços de Controle e Administração, Administração e Representação Ltda (Inagap), Sol de Verão Turismo e Mundi-Multiun. Nenhum dos representantes dessas empresas acompanhou a ordem judicial.
O diretor empossado2Benedito Antoniassi disse que, dos 13 funcionários do Thermas, somente vai dispensar aqueles que trabalham no escritório. Segundo ele, permanecerão os que trabalham na sede campestre e fazem o serviço de limpeza. Antoniassi ressaltou que vai precisar da colaboração dos sócios para recuperar financeiramente o balneário Thermas. Sozinho nada poderei fazer e espero a cooperação de todos, disse Antoniassi.
O clube tem 47 mil sócios, com um patrimônio calculado em R$ 1.852,049,40. Em abril, or 2ordem judicial, o patrimônio do clube foi a leilão sem encontrar comprador. Em 1994, o Thermas chegou a ser arrematado mas as dívidas não foram quitadas e patrimônio voltou a leilão.
Até ontem, o clube estava sob o controle do grupo Jacomossi e fazia parte de um complexo turístico. O empresário Ary Jacomossi estava na presidência do clube até 93, sendo depois substituído pela sua nora, Rosângela Petruci. Ary Jacomossi foi candidato a prefeito de Maringá e não alcançou 700 votos. Uma das denúncias contra ele é que teria gasto dinheiro do Thermas na campanha política.
A advogada Vera Lúcia Antoniassi afirmou ontem que, se o Thermas continuasse com o grupo Jacomossi, não levaria mais um ano para o patrimônio ficar totalmente destruído.
De acordo com cinco sócios do balneário, que acompanharam a ação judicial ontem, a piscina do clube está vazia e o tobogã aquático está desativado - exatamente as duas melhores atrações para chamar os sócios ao clube. Os associados também reclamaram da péssima situação da estrada que leva até o clube, que o grupo Giacomossi prometeu asfaltar há mais de três anos.
A liminar que destitui da direção do Thermas o grupo Giacomossi poderá ser cassada, dependendo do Tribunal de Justiça, em Curitiba. O grupo poderá apelar da sentença do juiz Junior Veloso na próxima segunda-feira.


