Juiz manda interditar Prisão Provisória
Osmani Costa
De Londrina
O juiz da Vara de Execuções Penais (VEP) e Corregedoria de Presídios, Roberto Ferreira do Valle, determinou ontem a interdição parcial da Prisão Provisória de Londrina (PPL), que a partir de agora não poderá receber nenhum preso até que o total de detentos ontem era de 173 volte a ser inferior ao número original de vagas, 138.
A decisão de interditar parcialmente a PPL, segundo Valle, foi tomada por solicitação do próprio diretor interino, delegado Eurico Hummig. A superlotação, principalmente depois da última rebelião, tornou a situação da prisão insustentável. Aquilo virou um depósito de presos, e não permitirei que continue assim, comentou o juiz. Ele lembrou que cada cela está com o dobro de detentos inicialmente planejado.
Roberto do Valle determinou ainda que a transferência dos presos excedentes, que será gradativa em no máximo 30 dias, tenha início amanhã, com a saída de seis deles para a Penitenciária Estadual de Londrina (PEL), localizada ao lado da prisão. A segunda turma de transferidos, com cerca de dez detentos, sairá no início da próxima semana; parte para a PEL e parte para a Colônia Penal Agrícola de Piraquara, na Região Metropolitana de Curitiba.
Na tarde de ontem, quatro oficiais de Justiça com o respaldo de 15 policiais e cães do Pelotão de Choque da Polícia Militar (PM) estiveram na prisão para entregar a intimação do juiz da VEP ao delegado e diretor interino da PPL, Eurico Hummig. Eles promoveram também a contagem e identificação nominal de todos os presidiários, para controle da VEP durante este período de remoções. Não houve nenhum incidente durante as quase três horas em que os oficiais de Justiça estiveram na prisão provisória.
O prazo de 30 dias para a diminuição no número de presos vale também para o término das reformas e reparos necessários à regularização das condições físicas do prédio, bastante prejudicadas na rebelião ocorrida no final de novembro. O motim, que durou nove horas e envolveu 196 detentos, deixou várias celas sem grades, portas e vidraças.
O juiz da VEP informou que tomou conhecimento de um plano para fazê-lo refém durante a penúltima rebelião, em agosto. O plano frustrou porque eu, desconfiado, não fui até a PPL durante aquele motim. Sei que alguns detentos e agentes da prisão não gostam do meu método de trabalho, ressaltou Roberto do Valle. Ele adiantou que investiga denúncias de que alguns funcionários da PPL estariam cobrando pedágio dos presos para facilitar a entrada de drogas, bebidas alcoólicas e prostitutas.
O diretor interino da PPL, que acumula o cargo de delegado do 6º Distrito Policial (DP) de Londrina, não quis conceder entrevista à Folha para comentar a situação da prisão.





