Juiz manda despejar mulher e quatro filhos
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quinta-feira, 04 de março de 2004
Chiara Papali<br>Reportagem Local 
Uma decisão judicial obrigou a costureira Damaris da Cunha Botti, de 31 anos, a deixar ontem a casa onde vivia, em Londrina, com quatro filhos menores. A costureira e os filhos só puderam tirar da casa, no Conjunto Roseiras (Zona Sul), objetos pessoais e alguns alimentos, que foram deixados na calçada cobertos por uma lona. Sem ter para onde ir, Damaris recorreu à ajuda de amigos e vizinhos para ter um local onde passar a noite.
O advogado de Damaris, Alan Pietraroia Nogueira, classificou de ''surpreendente'' a decisão judicial. Segundo ele, é uma medida cautelar de separação de corpos proposta pelo ex-companheiro da costureira. O processo corre em segredo de Justiça e, portanto, o advogado não pode dar mais detalhes. ''Que juiz determina que uma mulher sem rendimentos e com quatro filhos deixe sua residência? Isso porque já houve uma audiência e Damaris informou que não tinha para onde ir'', questionou.
Damaris, que veio de Apucarana, mas cuja família mora no Acre, viveu com o ex-companheiro durante os últimos seis anos. Em janeiro, o casal se separou. Para ela, a decisão também foi uma surpresa. Ela só começou a trabalhar recentemente como costureira e por isso afirma que ainda não tem um salário ''garantido''. ''Só recebo quando tem serviço'', afirmou. Nos últimos meses, a família sobrevivia com o salário do filho mais velho, um adolescente, que trabalha em um sacolão.
O advogado informou que vai entrar com um pedido de reconsideração na 1 Vara Familiar, onde a medida cautelar de despejo foi determinada. ''A casa é dele (do ex-companheiro) mas Damaris afirma que ajudou a pagar algumas reformas. Além disso, eles viviam como família há cerca de seis anos e isso já caracteriza uma união estável'', disse o advogado, que também pretende pedir pensão alimentícia para a cliente.
''Eu só quero que seja feita justiça'', disse Damaris, que ontem procurou por um abrigo da prefeitura mas preferiu ficar em uma casa alugada por amigos ''até decidir o que vai fazer''. A Folha procurou o companheiro com quem Damaris viveu mas o telefone celular estava desligado.


