Juiz manda desocupar lotes invadidos
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sexta-feira, 19 de fevereiro de 1999
Paulo Pegoraro 
A empresa Sul Brasileiro Corretora Imobiliária obteve ontem à tarde a reintegração de posse de terrenos do Jardim Gramado, na região central de Cascavel, invadidos no final da semana por famílias sem-teto. A desocupação foi determinada pelo juiz Paulo Hapner, da 2ª Vara Cível, e caberá a oficiais de Justiça exigir seu cumprimento, ou então será requisitado o auxílio da Polícia Militar. Dos 310 lotes invadidos, 220 pertencem à empresa, com sede em Porto Alegre (RS) e originada do extinto Banco Sul Brasileiro. Sobre os demais terrenos, de proprietários distintos, ainda não há pedido de reintegração de posse.
A Folha obteve a informação de que a maior parte dos imóveis está caucionada junto ao banco Banestado, em garantia de dívidas da empresa. Mesmo assim, e agora com a ordem de reintegração, a Sul Brasileiro aceita negociar a venda dos lotes, desde que eles primeiro sejam desocupados, afirmou o assessor da diretoria, Esli Menezes, enviado a Cascavel juntamente com a advogada Cléia Luvisotto para ajuizar a ação. Com invasores que tentem resistir se mantendo nesta condição, não há possibilidade de negociação, acrescentou.
Menezes disse que os terrenos pertencem à empresa desde 1985, oriundos de créditos junto aos antigos proprietários. Segundo a advogada Cléia Luvisotto, a propriedade é líquida e certa, por isso a obtenção da ordem judicial. Já a posse nos terrenos, embora estejam baldios, estaria assegurada por um contrato de limpeza existente entre a Sul Brasileiro e uma empresa local de mão-de-obra.
A empresa se dispõe a negociar os lotes, assim que desocupados, porque, segundo Esli Menezes, a caução no Banestado pode ser substituída por outros bens da empresa. Os sem-teto dizem ter interesse em negociação, mas não têm como pagar os valores pedidos pela empresa, entre R$ 10 mil e R$ 15 mil por terreno. A ocupação dos 310 lotes é a de maior vulto, entre todas as já realizadas por sem-teto em Cascavel, pelo número de imóveis e por se tratar de área considerada nobre - proximidades da Avenida Brasil, principal rua da cidade, e a menos de 3 mil metros do ponto mais central.


