Juiz manda desocupar área ocupada por 105 famílias
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terça-feira, 29 de maio de 2001
Silvana Leão De Londrina 
O juiz da 3ª Vara Cível de Londrina, Vitor Roberto Silva, concedeu à prefeitura liminar de reintegração de posse de terreno invadido no loteamento Parque Residencial Professora Marieta, na região norte da cidade. A área de 36 mil metros quadrados abriga três terrenos públicos - um destinado à construção de uma escola, outro para um centro comunitário e uma faixa de preservação ambiental em fundo de vale.
A invasão foi iniciada no dia 1º de maio e atualmente 105 famílias estão no local em barracos de lona e madeira. Em reunião com os invasores, a Companhia de Habitação (Cohab) de Londrina ofereceu a possibilidade de financiamento de terrenos no Jardim João Turquino, na zona oeste. Os moradores recusaram a oferta, argumentando que a facilidade de acesso a escolas, hospital e supermercados é muito maior na zona norte. Outro argumento é o alto índice de violência no João Turquino.
No despacho assinado anteontem, o juiz afirma que não se mostra lícito, em princípio, que havendo outra área a ser ocupada pelos requeridos, eles permaneçam no local em prejuízo de outras pessoas que residem nas proximidades e de forma regular. A liminar prevê um prazo de cinco dias para a desocupação voluntária, sob pena da ordem ser cumprida de forma compulsória. O prazo deverá ser contado a partir de hoje, quando provavelmente os invasores serão comunicados da decisão por um oficial de Justiça.
Os invasores consideraram absurda a liminar do juiz e afirmam que não sairão do local. Se desmancharem nossos barracos, montamos de novo. Se a polícia vier, vamos deixar que façam o serviço deles. Mas não vamos desistir, declarou um dos líderes do grupo, o pintor desempregado Ailton Natalino da Silva Souza, de 22 anos. Ele contou que estava morando de favor no quintal da casa da sogra e instalou-se no terreno com mulher e dois filhos, um deles de oito meses.
Segundo Souza, a área oferecida no João Turquino é desaconselhável para moradia por ser considerada de risco. A diarista Cláudia Dias Araújo, de 29 anos, afirmou que o terreno ocupado por eles estava abandonado há vários anos. Agora que viemos para cá falam em fazer escola?, questionou. Ela reafirmou que ninguém pretende sair do local.
O procurador-geral do município, Carlos Scalassara, disse considerar uma imprudência e uma demonstração de falta de sensibilidade a recusa dos invasores em aceitar o terreno oferecido no João Turquino. Quanto ao argumento de tratar-se de área de risco, Scalassara afirmou não acreditar na afirmação. O município não cometeria a imprudência de oferecer uma área imprópria para as famílias - declarou.


