Juiz interdita carceragem do 2º DP
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quarta-feira, 17 de setembro de 2003
Adriana Savicki<br>Reportagem Local 
O juiz da Vara de Execuções Penais de Londrina (VEP), Roberto Ferreira do Vale, interditou ontem a carceragem do 2º Distrito Policial (zona leste). Além de proibir a transferência de novos detentos, a sentença determinou que a Polícia Civil retire os demais em um prazo de um mês a contar de ontem. O local só será liberado depois da realização de melhorias, o que implica que Londrina passará meses sem ter onde abrigar os presos. A direção da Casa de Custódia de Londrina (CCL) já descartou ontem a possibilidade de receber novos presos.
Ontem a carceragem, com capacidade para 64 pessoas, abrigava 206 detentos. Além da superlotação e dos problemas de segurança recorrentes disso no domingo houve uma tentativa de fuga pesou na decisão do juiz as péssimas condições do prédio, com problemas hidráulicos, elétricos, umidade excessiva, entre outros.
O principal problema da Polícia Civil agora é a destinação dos novos presos. Segundo o delegado-operacional da 10ª Subdivisão Policial, Jorge Barbosa, a média diária de prisões é de quatro a seis pessoas. A transferência para a CLL, sugerida ontem pelo delegado-chefe Jurandir Gonçalvez André, já foi descartada pelo diretor-geral da instituição, Edison Tomaz.
Segundo ele, o Departamento Penitenciário do Estado (Depen), após ter tomado conhecimento da interdição, deu ordens expressas ontem para que a unidade não abrigasse mais presos. Não há espaço físico para receber mais ninguém, já estamos com dois homens a mais por cela dormindo no chão, não vamos acabar com um problema fazendo outro, comentou. A CCL em capacidade para 288 presos e está com lotação de 432 pessoas.
O juiz também é contra a transferência emergencial para CCL. A CCL está dentro do limite, se entrar mais gente será por ordem do Departamento de Justiça; não por mim, garantiu. O problema de Londrina é construir outra cadeia, hoje temos 375 presos excedentes e a sugestão é de 300 ou 400 vagas (para a casa de detenção) se demorar três anos para construir como foi a Casa de Custódia vamos estar com excedente de 500 presos, comentou.
O delegado-chefe afirmou que a polícia estuda soluções emergenciais para abrigar os novos presos mas que não poderiam ser divulgadas por questão de segurança. Ele não quis opinar sobre a decisão do juiz e afirmou que a sentença será repassada aos órgãos competentes.
O juiz também determinou reforma e melhorias no 4º DP, que abriga a carceragem feminina, também superlotada com excedente de 20 detentas. O juiz entendeu, no entanto, que não seria necessária interdição mas proibiu o recebimento de presas de outras comarcas e determinou a transferências de presas para penintenciária estadual.
As mesmas medidas foram tomadas também em relação ao 2º DP. Contudo, segundo o delegado responsável pelo distrito, Fátimo de Siqueira, poucos presos se enquadram nesses requisitos. Ontem, os policiais realizaram uma vistoria na carceragem e encontraram pequenos objetos.


