O juiz Abílio Thadeu de Freitas, da comarca de Iretama (65 km ao sul de Campo Mourão), negou o pedido de prisão temporária a dois suspeitos pela morte de Cleuza Sacoman Pires, 40, e da filha dela, Lílian de Almeida Pires, 14. O crime ocorreu em setembro do ano passado num sítio na divisa entre Iretama e Luiziana. As duas foram degoladas. O delegado Lindomar Alves Júnior, de Campo Mourão, que apura o caso, havia pedido as prisões temporárias de um cunhado e de um sobrinho de Cleuza.
A prisão dos dois – Valdir de Almeida Pires, 44, e do filho dele, Anderson de Almeida Pires, 19 – foi pedida depois que uma testemunha apareceu na delegacia, em agosto, dizendo que viu os dois saindo do local do crime no dia e horário provável em que mãe e filha foram mortas. A testemunha, Nelson Ranieri, contou ao delegado que chegou a ouvir quando o pai disse ao filho que os dois deveriam sair do local antes que alguém os visse. Ranieri disse também que não havia denunciado o caso antes por ter ficado com medo.
Para o delegado, o depoimento de Ranieri deu ‘‘novos rumos’’ ao caso e reforçou a suspeita sobre Valdir. Ele já havia ficado preso por 26 dias, em fevereiro deste ano, por suspeita de envolvimento no crime. Na época, a polícia encontrou com Valdir uma faca que pode ter sido usada no duplo homicídio. Em depoimento, ele disse que havia ‘‘esquecido’’ de entregar a faca à polícia. Para o juiz, no entanto, os indícios ainda são ‘‘muito frágeis’’.
No despacho que negou a prisão temporária dos dois suspeitos, Freitas ressaltou que as investigações ainda estão ‘‘longe de se produzir alguma prova conclusiva contra qualquer um deles’’. O juiz também viu contradições no depoimento de Ranieri, estranhou que ele tenha demorado tanto tempo para levar o caso à polícia e lembrou que os depoimentos de Valdir já haviam passado até por um ‘‘detector de mentiras’’.
A versão da polícia, até agora, é que o crime possa ter ocorrido por uma briga familiar devido a uma partilha de bens. O sogro de Cleuza e pai de Valdir havia morrido um mês antes do crime. Valdir nega qualquer participação no caso. O irmão dele e viúvo de Cleuza, José Almeida Pires Neto, 47, também não acredita na participação da família. Um outro suspeito, José Pereira, que chegou a ter prisão decretada, mas que nunca foi encontrado, teve a prisão revogada pelo juiz. Pereira é filho de uma antiga proprietária do sítio onde ocorreram os assassinatos.

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