Juiz incentiva presos a fazerem denúncias
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quarta-feira, 12 de junho de 2002
Emerson Dias<br>Reportagem Local 
Cada um dos 320 detentos da Casa de Custódia de Londrina (CCL) recebeu ontem envelope, folha em branco e um lacre para denunciar qualquer irregularidade que estiver ocorrendo na unidade, inclusive envolvendo funcionários e presos perigosos.
A determinação foi do juiz da Vara de Execuções Penais (VEP) de Londrina, Roberto do Valle, que pretende obter detalhes do sistema prisional. Como o envelope e o lacre foram passados para todos, ninguém poderá sofrer represália. Um possível preso ameaçado pode argumentar que entregou o papel em branco, explicou.
Segundo o juiz, a CCL foi a segunda a ser testada com o sistema. As presas do 2º Distrito Policial também foram ouvidas desta maneira. Tentamos usar uma urna na PEL (Penitenciária Estadual de Londrina), mas recebemos apenas nove cartas. Vamos usar o novo método lá em agosto, assim como nos demais DPs.
O material entregue na Casa de Custódia foi recolhido durante a tarde por quatro oficiais de Justiça. Os textos não passaram pelo crivo dos funcionários e nem pela direção do presídio. Encaramos a pesquisa como uma ação de rotina, mesmo sendo a primeira vez. Estamos apenas acatando uma determinação do juiz, afirmou o diretor da CCL, major Edison Marcos Tomaz, lembrando que a iniciativa da VEP não estaria relacionada a qualquer irregularidade.
O juiz comentou, no entanto, que é possível descobrir denúncias envolvendo presos e funcionários, principalmente ligados a um possível mercado paralelo de cigarros. O fumo foi proibido há cerca de dois meses, quando houve um princípio de rebelião. Recebemos denúncia envolvendo parentes dos presos e funcionários, que estariam levando fumo picado para dentro da cadeia.
O cigarro foi proibido por determinação da empresa (Humanitas) que administra a cadeia. Temos presos querendo a volta do fumo, mas também temos detentos que nos agradeceram por ajudá-los a parar de fumar, argumentou Tomaz.
A medida administrativa, que se transformou em portaria pelo Departamento Penitenciário do Estado, deve ser reavaliada por Valle. Também apóio a medida, mas a decisão foi um pouco drástica. Os fumantes deveriam ser separados e tratados como dependentes.


