Juiz impede exploração de carvão
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sexta-feira, 23 de novembro de 2001
Israel Reinstein<br>De Curitiba 
Um decisão judicial impede que a Copel aumente o potencial energético da termelétrica de Figueira (125 km ao sul de Jacarezinho). Por causa de uma ação movida pela Liga Ambiental, a empresa está impedida de explorar as minas de carvão da região, até que se realize estudos do impacto ambiental da atividade. A assessoria de imprensa da Copel informou que o setor jurídico já entrou com recurso no Tribunal de Justiça, em Curitiba.
Pelo projeto da Copel, a termelétrica construída em 1963 iria ampliar a capacidade de geração de 20 megawatts (MW) para 150 MW. Para isso, seria preciso aumentar a exploração das minas de carvão (repotencialização) de Figueira. ''Mas o uso do carvão dessas iriam causar dano ambiental e à comunidade'', justificou o presidente da Liga, José Álvaro Carneiro.
O advogado da entidade ambiental, Vitório Sorotiuk, explicou que a Justiça acatou a decisão porque a Copel fez modificações no Relatório de Impacto Ambiental (Rima), que não constavam no Estudo de Impacto Ambiental (EIA). José Carneiro explicou que no Rima não havia dados de desativação de uma mina e a abertura de outra. Também não há dados de que o carvão da região é radioativo.
Laudos da entidade ambiental, elaborados pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), indicam que o carvão da nova mina de Figueira tem rastros de uranita (derivado do urânio). O ambientalista disse que esse componente emite radioatividade quando queimado. ''Esperava-se que acontecesse um estalo atômico a cada 15 dias'', disse.
Carneiro afirmou que todo o processo de apresentação do projeto da termelétrica de Figueira foi manipulado. O ambientalista argumentou que, durante a audiência pública, a Copel deu informações incorretas, o que levou representantes do Ministério Público Federal da região a abandonarem a discussão. ''A nossa ação tentou barrar até essa audiência pública, mas o juiz não acatou'', afirmou. O advogado disse que entrou com um recurso para invalidar a audiência.
A Copel informou que a audiência pública obedeceu o que estabelece as regras para o licenciamento ambiental. A empresa avisou que está recorrendo da decisão da Justiça de Curiúva (a 154 km ao sul de Jacarezinho).


