Juiz fecha hospital e causa colapso em Iporã
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sexta-feira, 16 de fevereiro de 2001
Vânia Moreira Enviada a Iporã 
Uma liminar assinada pelo juiz Rodrigo Fernandes Lima Dalledone paralisou ontem o atendimento médico em Iporã (53 quilômetros a sudoeste de Umuarama). Por ordem do juiz, a prefeitura foi obrigada a dispensar os 22 médicos, dentistas, enfermeiras e agentes de saúde que prestavam serviços no Hospital Municipal e nos postos de saúde do município.
Todos os profissionais eram contratados em regime temporário, o que é proibido por lei. Dalledone acatou pedido do promotor Sílvio Aparecido dos Santos, que move uma ação civil pública exigindo que a prefeitura realize concurso público e regularize a situação.
O fechamento do Hospital Municipal coincidiu com um acidente grave na madrugada de ontem. O acidente deixou 22 trabalhadores rurais feridos . Com apenas 12 leitos, o hospital do Sindicato dos Trabalhadores Rurais teve dificuldade para atender todas as vítimas.
Houve correria e a situação ficou fora de controle para os funcionários que estavam de plantão. Foi preciso convocar os médicos e enfermeiros dispensados pela prefeitura para ajudar voluntariamente a socorrer os feridos. Alguns foram atendidos improvisadamente no corredor e na sala de espera do hospital.
A população se revoltou com o ocorrido e o comércio fechou as portas das 9 às 14 horas, em protesto contra a decisão judicial. A Associação dos Municípios de Entre Rios (Amerios) emitiu nota à imprensa em apoio à prefeitura de Iporã. A prefeita Maria Aparecida Zago Udenal (PSDB) disse ontem que já está regularizando a situação dos funcionários do setor de saúde e não esperava que a Justiça a obrigasse a dispensar o pessoal, deixando a população sem atendimento.
Segundo a prefeita, o concurso para a contratação de funcionários foi realizado no último dia 4 de fevereiro. O resultado deve ser divulgado apenas na próxima semana, atrasando ainda mais uma decisão imediata sobre o assunto.
Maria Aparecida alega que o processo de regularização do funcionalismo é demorado, são várias etapas e procedimentos e tudo depende de aprovação da Câmara. O Plano de Cargos e Salários foi aprovado ano passado. Iporã tem 16.444 habitantes e o sistema público de saúde atende diariamente cerca de 150 pessoas.
O departamento jurídico da prefeitura entrou ontem com um pedido de reconsideração da liminar. A prefeita Maria Aparecida pediu ao juiz que permita o retorno provisório dos cinco médicos e de uma enfermeira padrão para reabrir o hospital municipal. A medida deve amenizar o impacto da liminar no sistema de saúde do município.


