Mauricio Della Barba
De Londrina
Mais um preso foi transferido da Prisão Provisória de Londrina (PPL) para a Penitenciária Estadual de Londrina (PEL) ontem, no final da tarde. A transferência fazia parte do acordo feito entre os presos e o juiz-corregedor dos presídios, Roberto Ferreira do Valle, como forma de acabar com a rebelião ocorrida na última sexta-feira.
No sábado, 14 presos já haviam sido transferidos. Oito foram deslocados para a PEL e quatro para a Colônia Penal Agrícola de Curitiba. O diretor da penitenciária, Dyson Ferreira de Pinho, manifestou-se contrário à nova transferência por causa do excesso de detentos.
‘‘Temos capacidade para 360 presos e já estamos com 374. Não temos como comportar mais gente’’, disse. A situação é crítica em todo o Estado. Só nos distritos, existem mais de 200 presos à espera de transferência. ‘‘Estamos tentando deslocar alguns para a Colônia Penal de Curitiba, onde parece haver vagas’’, disse o diretor da PEL.
Ontem, a situação era delicada, pois se Pinho negasse a cumprir a ordem judicial de transferência, poderia ser preso. Para que tudo ocorresse sem maiores problemas, o oficial de justiça José Abrahão da Silva foi designado para cumprir o acordo. A solução encontrada pelo juiz-corregedor foi a soltura condicional de um detento da PEL para que assim fosse possível abrir uma vaga para a transferência.
A notícia de ganhar a liberdade pegou de surpresa Edson Paroleno de Souza, de 23 anos, que cumpre pena de 4 anos e 4 meses por tráfico de drogas e alguns furtos. ‘‘Vou sair é ? Nossa mãe!’’, exclamou o ex-presidiário ao ser informado de sua soltura. Depois de dois anos e 10 meses preso, a vontade de ir embora era tão grande, que Edson não quis levar nenhum pertence consigo. ‘‘Deixei tudo aí para trás. Agora é vida nova’’, disse.
Sem dinheiro algum, ele estava disposto a ir a pé até a casa de seus pais em Rolândia. O diretor da PEL, no entanto, acabou doando R$ 2,00 para a passagem de ônibus. ‘‘Normalmente compramos as passagens antecipadamente, mas neste caso até nós fomos pegos de surpresa pelo horário que recebemos a intimação de soltura’’, explicou Pinho.
Já o transferido Donizete Aparecido dos Santos, que cumpre pena por estupro, e é tido como um dos ‘‘chefes’’ da PPL (pelas regalias que desfrutava no local), aproveitou para fazer denúncias contra alguns agentes penitenciários. Santos afirmou ter documentos que comprovam a participação de quatro agentes no desvio de mantimentos e comidas da cozinha da PPL. O presidiário prometeu fazer as denúncias para a imprensa em breve.
A Folha não conseguiu localizar o diretor da prisão ontem no começo da noite.Para ‘driblar’ a superlotação na PEL, corregedor tem que soltar um preso para que outro ocupe seu lugar
César AugustoENTRA-E-SAIO preso Donizete dos Santos (acima) é levado de camburão para PEL; ao lado, o diretor da penitenciária dá o dinheiro da passagem de ônibus para o detento Edson Paroleno de Souza, que ontem ganhou a liberdade

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