Juiz diz que nomeação é política
O juiz togado do TRT Luiz Felipe Haj Mussi aponta dois pontos de vista na polêmica em torno dos juízes classistas. O primeiro diz respeito ao serviço prestado nas juntas conciliatórias. Os classistas prestam um bom serviço, mas do modo como está estabelecida essa representação, não pode ser. Como a indicação é dos sindicatos ou federações, não há um debate mais amplo e o cargo fica restrito à participação de poucos. A nomeação fica na dependência do presidente do TRT, que sofre pressões de todos os lados, o que acaba tornando a nomeação um ato político, afirma.
Outro ponto polêmico, segundo Mussi, é que a remuneração dos classistas é feita pela União: Defendo a idéia de que os classistas sejam remunerados pelos sindicatos ou federações a que pertencem. Nesse caso o ônus do Estado ficaria menor.
Mussi avalia que os classistas exercem importante papel junto aos movimentos sindicais e muitas vezes auxiliam os juízes nas sessões de conciliação. Cerca de 50% das reclamações ajuizadas terminam conciliadas e os classistas ajudam na composição dos acordos, diz. Nos tribunais, no entanto, as questões são jurídicas e não haveria necessidade de juízes classistas, que não precisam ter qualquer conhecimento jurídico para serem nomeados.
Os dirigentes sindicais que indicam os vogais avaliam que eles são responsáveis pela imparcialidade dos acordos trabalhistas. A proposta de acabar com os classistas é absurda, sem eles os acordos não sairiam tão rápido e em primeira instância. Querem eliminar os classistas sem discutir o assunto com a sociedade, argumenta Gilberto Rautt, presidente da Associação dos Juízes Classistas, do Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Gráficas e da Federação dos Trabalhadores nas Indústrias do Paraná. Rautt é juiz classista no segundo mandato. (E.M.)





