Arapongas O inquérito policial interpretou de uma forma, a Justiça de outra. Um dia após o protesto que mobilizou familiares do comerciante Marcos César Gomes de Barros, 37 anos, assassinado no dia 5 de março em Arapongas (37 km a oeste de Londrina), o juiz Carlos Alberto Costa, da única vara criminal da cidade, explicou que a Justiça decidiu anular o auto de prisão do vigia Guerrino Firmino da Silva, 46, acusado de ter assassinado o comerciante. A reviravolta do caso provocou a ira de familiares da vítima, que consideraram a decisão um ato de irresponsabilidade.
Segundo o magistrado, a prisão não preenchia os requisitos necessários para se caracterizar o flagrante, conforme relatava o inquérito policial. ''O advogado de defesa entrou com um pedido de relaxamento de prisão alegando ilegalidade do flagrante. Ao analisar o processo, o Ministério Público, e também a Justiça, entenderam que não havia provas suficientes para caracterizar a prisão em flagrante'', ponderou Carlos Alberto.
Enquanto isso, o vigia, que ficou pouco mais 20 dias detido, responderá o processo em liberdade. O juiz ressalvou, porém, que um pedido de prisão provisória poderá ser solicitado assim que necessário. ''Isso pode ocorrer se ele tiver algum desvio de comportamento, como ameaçar testemunhas, tumultuar as coisas ou colocar o processo em perigo. Ou então se não aparecer no interrogatório'', explicou. A primeira audiência ainda está sem data marcada.
Silva teria matado o comerciante com três tiros após Barros ter se recusado vender fiado uma dose de pinga. No inquérito, consta que o vigia teria confessado o crime. Segundo o juiz, no entanto, a confissão policial não tem influência direta no trabalho judicial. ''Ele confessou na delegacia e, em 90% dos casos, o acusado confessa na delegacia e nega em juízo. Então, para a Justiça ele não confessou'', argumentou. O juiz considerou ainda o protesto da família legítimo. ''É um direito deles, mas não interfere em nada no trabalho da gente'', afirmou.

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