Sabáudia - Os 23 presos de Rolândia transferidos provisoriamente para Sabáudia (65 km a oeste de Londrina) na segunda-feira devem ser retirados da pequena delegacia até o meio-dia de hoje. A determinação é do juiz de Arapongas e responsável pela comarca, Carlos Alberto da Costa Ritzmam, que alega falta de estrutura para abrigar os detentos.
A cadeia fica na área central de Sabáudia e conta com dois policiais civis. Ao lado da delegacia, construída há 32 anos, fica um destacamento da Polícia Militar, que conta com três homens. A cidade possui cerca de 6 mil habitantes. Considerada pelos próprios policiais como uma ‘‘casa adaptada’’, a cadeia tem quatro celas com capacidade para apenas oito detentos. Para garantir maior segurança, policiais civis de Londrina, Arapongas e Maringá fazem um revezamento 24 horas no local. Apenas um muro com pouco mais de um metro de altura separa a delegacia da rua.
O prefeito Ilson Mendes (PFL) afirmou que vai ‘‘retaliar’’ a determinação da Secretaria de Segurança Pública, boicotando os benefícios cedidos pela administração. ‘‘Já barramos o repasse de combustível, comida e limpeza. Enquanto houver preso aqui, não vamos dar apoio a nada.’’
Para os moradores, a superlotação da cadeia, mesmo que temporária, amedontra. ‘‘Pode ter preso, mas não a quantidade que tem a풒, disse o vigia noturno Antonio Carlos Gomes. ‘‘Uma hora ou outra eles (os detentos) vão fazer arte. Não queremos eles aqui’’, reclamou o aposentado Aparecido Zanin, que vive em Sabáudia há 43 anos.
O delegado-chefe da Divisão Policial do Interior (DPI), Clóvis Galvão, pediu ontem a compreensão dos moradores para que aceitassem a permanência dos presos durante os próximos 40 dias. Este é o prazo dado para a conclusão da reforma na delegacia de Rolândia, destruída em uma rebelião ocorrida em novembro do ano passado.
O juiz de Rolândia, Alberto José Ludovico, interditou a cadeia no início do mês. ‘‘Infelizmente não tenho onde colocar os detentos. Se os presos não forem transferidos em até 40 dias, podem cobrar do DPI’’, garantiu Galvão, lembrando que nove condenados perigosos foram levados de Rolândia direto para Curitiba.

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