Juiz determina o fim da greve nas universidades
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quinta-feira, 22 de novembro de 2001
Emerson Dias<BR>De Londrina 
O governo do Paraná conseguiu uma liminar que determina o fim da greve nas universidades estaduais, impondo inclusive multa diária de R$ 1.5 mil para as 14 entidades sindicais que organizam a paralisação. O comando unificado de greve vai recorrer da decisão judicial e informou que orientará professores e servidores a não voltar às aulas até ser notificado.
O juiz da 3 Vara da Fazenda Pública em Curitiba, João Domingos Kuster Puppi, concedeu a liminar no fim da tarde de anteontem, atendendo a petição da procuradora Geral do Estado, Márcia Carla Ribeiro. No despacho, Puppi criticou ''a visão exclusivista de classe'', responsável pelo comprometimento dos interesses da população como ''tratamento médico fornecido pelos hospitais universitários a pessoas que não dispõem de acesso a outros estabelecimentos da mesma natureza''. Foram acatados ainda os argumentos da procuradora sobre os possíveis prejuízos provocados ao calendário dos vestibulares e ainda sobre os ''incidentes violentos e invasões nos campi universitários'' que estariam ocorrendo durante os 66 dias de paralisação.
O presidente da Sindicato dos Servidores da UEL (Assuel), Itamar Nascimento, disse que a entidade nem ficou sabendo do processo. ''Não fomos citados e o governo já ganhou a liminar. Não voltaremos às atividades e nem faremos assembléia até chegar a notificação'', afirmou Nascimento. Para o representante do Sindicato dos Professores de Londrina (Sindiprol), Kennedy Piau, a ação teria sido ''encomendada'' pelo Estado. ''Os argumentos do juiz são as mesmas declarações do (governador) Jaime Lerner, durante sua passagem por Londrina (anteontem). Temos uma pré-defesa elaborada e vamos recorrer'', infromou Piau, lembrando que a categoria usará a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) da última segunda-feira, que derrubou uma ação da União contra as universidades federais.
O reitor da Universidade Estadual de Londrina, Pedro Gordan, recebeu a notícia no fim da tarde de ontem e disse que espera ser informado oficialmente hoje. ''O melhor que temos a fazer é aguardar e isso vale para os estudantes. A liminar é passível de recurso'', declarou Gordan, referindo-se ao agravo de instrumento que será apresentado ao TJ pelos sindicatos.
O comando de greve vai utilizar jurisprudência do STF e também a decisão de anteontem do juiz da 2 Vara Federal de Londrina, Danilo Pereira Junior, que não acatou a ação civil solicitada pelo Ministério Público. O procurador Regional da República, Mário Ferreira Leite, autor da petição, disse ontem que pretende recorrer ao Tribunal Regional Federal da 4 Região (TRF), sediado em Porto Alegre (RS).
Em entrevista ontem à Rádio Paiquerê (AM), de Londrina, Lerner falou sobre o ''desrespeito'' dos grevistas da UEL, mas apresentou um convite ''às pessoas da comunidade de Londrina para conversar no palácio do governo''. O governador citou o arcebispo dom Albano Cavallin, entre os convidados. ''Ele me conhece há mais de 30 anos e sabe da minha disposição em resolver qualquer assunto'' - argumentou.


