Juiz determina afastamento de delegado em Londrina
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terça-feira, 31 de maio de 2005
Carolina Avansini<br>Reportagem Local 
O juiz da 2 Vara Cível de Londrina, Luiz Gonzaga Tucunduva de Moura, determinou ontem o afastamento de três policiais civis, entre eles delegado Jorge Barbosa, do 1º Distrito Policial (DP). Eles são citados em uma ação ajuizada pela Promotoria de Investigações Criminais (PIC), em fevereiro deste ano, acusados de improbidade administrativa.
Segundo o processo, os policiais teriam extorquido R$ 4,5 mil de um agente de viagens detido para investigação em uma denúncia de extorsão. O fato teria ocorrido em 25 de fevereiro. Além do delegado, foram afastados um escrivão e um investigador.
No despacho, o juiz afirma que o afastamento visa evitar comportamentos que sejam nocivos às investigações, como a intimidação de testemunhas. Os envolvidos continuarão a receber seus vencimentos. ''O MP requereu na ação por improbidade administrativa o afastamento dos réus, o que foi deferido. Eles cometeram o ato de improbidade no exercício da função'', disse o promotor Cláudio Esteves. A ação pede a aplicação das sanções previstas na lei de improbidade administrativa como perda da função pública e proibição de contratação no serviço público. Os três policiais também são réus em uma ação criminal por extorsão agravada, que tramita há dois meses na 5 Vara Criminal de Londrina.
No final da tarde de ontem, Barbosa ainda não havia sido oficialmente comunicado sobre a decisão do juiz. ''Vou ver o que aconteceu, não fui ouvido nem notificado'', disse. Ele negou que tenha praticado extorsão. ''Isso é coisa da cabeça dele (do promotor). Tem um depoimento do advogado (da vítima) em juízo, afirmando que eu não estava presente'', justificou. Ele se mostrou chocado com a notícia. ''É um prêmio pelos 35 anos de serviços prestados à Polícia Civil de Londrina'', ironizou.
O responsável pelo cumprimento da ordem de afastamento é o delegado-chefe da 10 Subdivisão Policial, Jurandir Gonçalves André. Ontem, ele ainda não tinha sido notificado sobre a decisão. ''Estou aguardando o documento oficial e, se for notificado, as pessoas serão afastadas'', afirmou. Ele informou que, atualmente, pelo menos três policiais civis estão afastados de suas funções por decisão judicial. Desde 2003, 17 policiais foram presos no município.
Em nota divulgada ontem, a Secretaria da Segurança Pública do Paraná informou que os afastamentos ''obedecem à política deste governo de 'limpeza' dos quadros policiais''. De acordo com a nota, um procedimento administrativo contra os três citados está instaurado na Corregedoria da Polícia Civil, que ainda poderá resultar na exoneração dos acusados.
A assessoria de imprensa da secretaria acrescentou que os policiais podem ser punidos com pena de oito a 12 anos de reclusão. (Colaborou Cristiane Oya)


