O juiz Fernando Ferreira de Moraes, da Central de Inquéritos, determinou ontem a retirada imediata dos 80 outdoors da agência de publicidade Get, espalhados em Curitiba. O juiz entendeu que a exposição da criança de um ano, nua olhando uma suposta ereção, feria a Constituição Federal e o Estatuto da Criança e do Adolescente. No despacho, Moraes considera os criadores da campanha como despreparados e afoitos pelo lucro e popularidade.
O criador da campanha, Gilberto Trindade, o fotógrafo José Vieira e a mãe da criança fotografada para o outdoor prestaram depoimento ontem na Delegacia de Ordem Social.
Na semana passada o delegado Vinicius Carvalho instaurou inquérito para apurar os responsáveis pela peça publicitária, que mostra um menino de um ano com o pênis ereto. A explicação foi que a delegacia havia recebido várias reclamações e que o outdoor feria os artigos 241 (não permite fotografar crianças em cena pornográfica) e 232 (considera crime submeter crianças e adolescentes a vexame ou constrangimento) do Estatuto da Criança e do Adolescente.
O fotógrafo não quis dar declarações. Trindade disse que Vieira foi contratado para fazer as fotos e apenas cumpriu o pedido da agência. ‘‘A responsabilidade é nossa, ele não tem nenhum envolvimento com isso’’, disse. Para chegar à imagem do outdoor, a agência usou recursos da computação gráfica. ‘‘Tratamos a imagem como se tira a celulite da modelo da Playboy’’, afirmou.
Trindade voltou a falar ontem que não houve a intenção de fazer um trabalho pornográfico. ‘‘Continuamos achando que não agredimos ninguém. É apenas uma peça publicitária e tem de ser olhada como tal.’’
A mãe do menino, também publicitária, não quis dar entrevista. Trindade disse que ela considera o trabalho normal, independente do que as pessoas estão falando. ‘‘Somos sérios e responsáveis e temos de dar uma resposta aos nossos clientes e não ao povo em geral’’, afirmou Trindade. No início da próxima semana, outro sócio da Get, Ernani Buchmann, e o pai da criança prestarão depoimento.

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