Juiz desinterdita empresa acusada de poluição
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quarta-feira, 06 de novembro de 2002
Denise Angelo<br> Equipe da Folha 
Curitiba A empresa Metalbarras Indústria e Comércio de Metais Ltda., do município de Quatro Barras, ganhou na Justiça o direito de retomar suas atividades. A empresa havia sido interditada pelo Instituto Ambiental do Paraná (IAP) e depois lacrada pela Justiça em junho, acusada de provocar danos ambientais e à saúde pública, por causa do chumbo e outros metais utilizados na atividade. O município também moveu ação civil pública contra a empresa, pedindo o fim das atividades, alegando que os resíduos de chumbo armazenados no local colocam em risco a saúde dos moradores da região.
Para o juiz Cunha Ribas, que concedeu liminar favorável à empresa, a existência de risco genérico à saúde da população não é suficiente para determinar a interdição de atividade. O juiz considera que, como o dano ambiental é reversível e para ele esta condição se comprova na assinatura de um termo de compromisso entre a empresa e o IAP basta que os órgãos fiscalizadores intensifiquem suas ações para obrigar o empresário a tomar as medidas necessárias para evitar a poluição.
O sócio-proprietário da Metalbarras, Luiz Paschoal de Souza, diz que se sente perseguido. Ele não entende por que o termo de compromisso assinado com o IAP foi cancelado quatro dias depois. Após esse cancelamento começaram a surgir as ações contra a empresa, chegando ao ponto dela ser lacrada, embora em seu interior existissem materiais que precisavam de monitoramento constantemente, como os tanques de oxigênio. O presidente do IAP, Mário Sérgio Rasera, explica que o termo foi cancelado porque a política do IAP é respeitar sempre a decisão do município que tem poder de decisão sobre o uso do solo. ''Como o município entrou com uma ação forte contra a empresa, decidimos respeitar a posição do município.''
Durante o período em que a empresa esteve lacrada, a sede administrativa sofreu um atentado. Quatro homens encapuzados renderam o guardião e colocaram fogo no setor. Esse fato reforçou a suspeita de Souza de que ele estava sendo perseguido. Quanto à suspeita de intoxicação por chumbo dos moradores da região, todos os exames apontaram níveis normais do metal no organismo.
Por ter ficado quase cinco meses fechada, a Metalbarras quase entrou em falência. O proprietário pretende entrar com uma ação pedindo indenização pelos prejuízos que acumulou no período. A empresa deve voltar a funcionar tão logo o IAP faça nova vistoria.


