Juiz derruba liminar que fechou estrada
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terça-feira, 27 de maio de 1997
Valmir Denardin, de Foz do Iguaçu 
Ney de SouzaLiberadoTrecho da Estada do Colono, com pouco mais de 17 quilômetros, ficou fechado durante quase 11 anos O Tribunal Regional Federal da 4ª Região, sediado em Porto Alegre (RS), derrubou ontem a liminar que mantinha fechada há quase onze anos a Estrada do Colono, que corta o Parque Nacional do Iguaçu e liga as regiões Oeste e Sudoeste do Paraná.
A decisão de suspender a liminar foi do presidente do tribunal, o juiz Pedro Máximo Paim Falcão. O juiz acatou pedido feito dia 12 pela Associação de Integração Comunitária Pró-Estrada do Colono (Aipopec), entidade que coordena um movimento unindo as duas regiões do Estado pela reabertura. O tribunal da capital gaúcha centraliza as operações da Justiça Federal nos três Estados do Sul do País.
Na prática, a medida significa que a interdição da Estrada do Colono está revogada. Desde o dia 8, um grupo de cerca de 500 pessoas lideradas pela Aipopec está acampado no parque para tentar forçar a reabertura. A primeira medida dos invasores foi roçar a estrada, derrubando árvores e pequenos arbustos. Com o fechamento, a distância entre as duas regiões aumentou em 120 quilômetros.
A Estrada do Colono foi fechada em setembro de 1986 por uma liminar da Justiça Federal do Paraná. O pedido de interdição, feito por ambientalistas, argumentava que a estrada prejudicava o ecossistema do parque.
Em seu despacho, divulgado no início da noite de ontem, o juiz afirma que é inegável o prejuízo à ordem e à economia públicas que decorre da interdição. Em outro trecho, Paim Falcão ressalta que a proposta de reabertura apresentada pela Aipopec está cercada de cautelas tendentes à preservação do Parque Nacional do Iguaçu.
A decisão judicial foi recebida com festa por políticos e pelos moradores dos municípios diretamente atingidos pelo fechamento da estrada. Em Capanema (Sudoeste), Serranópolis do Iguaçu e Medianeira (Oeste) foram iniciadas carreatas pelas ruas assim que o despacho foi divulgado.
O prefeito de Capanema, Valter Steffen (PDT), disse que agora o grupo pretende abrir um amplo fórum de debates com o objetivo de discutir maneiras para que a reabertura da estrada cause o mínimo de impacto no ecossistema do Parque Nacional do Iguaçu. Segundo Steffen, serão convidados para participar dos debates integrantes da Aipopec, do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), do Instituto Ambiental do Paraná (IAP) e ecologistas.
A Folha procurou no final da tarde o superintendente do Ibama no Paraná, Jonel Iurk, para comentar a decisão judicial. Assessores informaram que ele só iria se manifestar depois de analisar o despacho do juiz.


