Curitiba - O juiz Marcelo Ferreira, da Central de Inquéritos, decretou anteontem a prisão preventiva do policial militar Rodrigo Feijó da Costa, de 24 anos. Acusado de comercializar CDs com imagens pornográficas infantis, o policial militar teve prisão temporária decretada em maio, mas foi solto uma semana depois.
Agora, ele foi detido por suspeita de cometer um crime chamado na linguagem jurídica de crime contra a segurança nacional. A acusação surgiu depois que foi encontrado em um computador apreendido, que seria de propriedade do policial, uma lista contendo nomes, endereços e documentos de dezenas de autoridades públicas. A relação constava em um site de pedofilia.
O inquérito de 170 páginas corre em sigilo por conter ''ofensa ao poder constituído'', segundo informações da Central de Inquéritos. O advogado do policial, Eurolino Sequinel dos Reis, agora corre contra o tempo para conseguir o habeas corpus em favor de seu cliente. Para o advogado, há pelo menos duas contestações a ser realizadas na forma como foi conduzido o inquérito.
O policial militar está detido no Centro de Observação e Triagem (COT). Segundo o Tribunal de Justiça (TJ), o habeas corpus da prisão temporária do acusado foi julgado no último dia 27 de junho em caráter ''prejudicado por perda do objeto'' porque ele já estava solto desde o dia 17 de maio. O caso está correndo em sigilo de Justiça, segundo o TJ, porque as vítimas são crianças e adolescentes.
O caso envolvendo o policial começou a ser investigado no final do ano passado, quando o computador do acusado foi apreendido por causa de suspeita de pirataria. Durante as investigações, o delegado Guaraci Joarez Abreu encontrou pelo menos 30 mil fotografias de crianças de 2 a 15 anos em cenas de sexo explícito. Também são acusados de envolvimento no caso, o ex-garçom Maycom Sad de Souza e o motoboy Oclair Gonçalves.
Segundo o advogado, o delegado que solicitou a prisão preventiva do policial, Guaraci Abreu, da Delegacia de Crimes Contra a Administração Pública, teria realizado a investigação com um perito que não tem vínculo com o Instituto de Criminalística, o que é ilegal.
Outra situação contestada pelo advogado é o fato do policial estar sendo acusado de crime contra a segurança nacional, previsto no artigo 13 da Lei 7.170, de 1983, e o caso estar correndo na Justiça Estadual. ''Se a acusação é um crime nacional, o inquérito teria que correr na Justiça Federal.''
O delegado Guaraci Abreu não foi localizado pela Folha para comentar o fato.

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