O juiz Álvaro Rodrigues Júnior, da 1ª Vara Cível, deferiu ontem pedido de interpelação judicial feito pela reitoria da Universidade Estadual de Maringá (UEM) para reabertura do prédio onde funciona a Comissão Central do Vestibular Unificado (CVU). O prédio foi lacrado pelos grevistas há 10 dias, o que pode comprometer a realização do vestibular, marcado para a próxima semana. A interpelação, que segundo o procurador jurídico da UEM, Wadson Gualda, não pode ser contestada, aciona as três entidades que comandam o movimento grevista: dos docentes, dos funcionários e dos trabalhadores no ensino.
O professor João Panphili, presidente do sindicato, disse à Folha que a decisão de lacrar o prédio foi tomada em assembléia, e só os grevistas podem liberar o CVU. O sindicato não agendou nova assembléia. A reitora da UEM, Neusa Altoé, lembra que a volta da comissão ao trabalho até amanhã permitiria a aplicação das provas do dia 16 a 19. ‘‘Com o pessoal trabalhando 24 horas por dia’’, destacou. Apenas dois candidatos portadores de deficiência visual, que pediram mas ainda não tiveram as inscrições aceitas, não poderiam ser atendidos.
A reitora deixa claro ainda que, por decisão do Conselho de Administração (CAD), a data das provas não será mudada. ‘‘Não temos como alterar o calendário e arcar com as consequências de alunos contestando a mudança’’, explicou. Com a decisão judicial, segundo Gualda, a responsabilidade em caso de cancelamento ou mudança de data do vestibular recairá sobre as entidades que comandam o movimento. ‘‘Nós não podemos abrir o prédio do CVU’’, lembra Gualda. Para mudar a data das provas, segundo a reitora, seria necessária a aprovação do Conselho de Ensino e Pesquisa. Até o final da tarde, Neusa Altoé ainda não tinha informações sobre a reação do governo diante da manutenção da greve na UEM.
O comando de greve divulgou ontem que apesar da paralisação dos serviços ambulatoriais do Hospital Universitário, desde o início do movimento há 36 dias, a situação na área de saúde em Maringá ‘‘é calma’’. O pronto-atendimento, que recebe uma média de 9 mil pessoas por dia, chegou a atender menos de 3,2 mil pacientes. O ambulatório, com 1,2 mil atendimentos ao mês, em junho encaminhou 327 pessoas. Todos os pacientes com consultas e exames agendados foram transferidos para outras datas ou para a rede municipal. Cerca de 230 pessoas foram encaminhadas.

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