Juiz de Londrina manda utilizar caminhões-fossa
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quarta-feira, 18 de outubro de 2000
Lino Ramos De Londrina 
O juiz da 6ª Vara Cível, Celso Seikiti Saito, deu 15 dias para a Prefeitura de Londrina colocar à disposição das famílias de baixa renda pelo menos dois caminhões-fossa, como determina a lei municipal 7.651, de janeiro do ano passado. A multa diária será de R$ 1,2 mil em caso de descumprimento da ordem judicial. O procurador-geral do município, Arão dos Santos Neto, disse ontem que só irá se manifestar após ser notificado.
Segundo o promotor de defesa dos Direitos e Garantias Constitucionais, Paulo César Tavares - autor da ação civil pública com pedido de liminar -, em agosto do ano passado diversas famílias procuraram o Ministério Público reclamando que as fossas estavam cheias e não tinham como esvaziá-las. Após mandar diversos ofícios à prefeitura, somente em março deste ano o prefeito cassado, Antonio Belinati (PFL), informou que a medida envolveria questões orçamentárias e estruturais.
O atual prefeito, Jorge Scaff (PSB) também foi informado sobre o problema durante uma audiência. O serviço de limpeza de fossas implica diretamente na saúde pública, porque pode gerar o aparecimento de terríveis doenças, justificou o promotor. No jardim União da Vitória, zona sul de Londrina, Amado de Paula, 53 anos, e mais 10 pessoas de sua família convivem com uma fossa cheia há seis meses.
Eu fiz um desvio e aí acaba correndo para o vizinho, lamenta. Sem trabalhar, devido a problemas no braço direito, Amado de Paula afirma que não tem como pagar pela limpeza. Ele disse ainda que já procurou a prefeitura duas vezes mas a informação é que não há caminhão-fossa. Segundo o promotor Paulo Tavares, uma limpeza de fossa custa entre R$ 60,00 e R$ 80,00 inviável para famílias de baixa renda.


