Juiz dá prazo para retorno das aulas
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 22 de fevereiro de 2002
Luciano Augusto Reportagem Local 
O juiz da 2ª Vara da Justiça Federal em Londrina, Danilo Pereira Júnior, buscou ontem colocar fim à greve dos servidores das universidades estaduais, que completa 160 dias. Ele determinou ao reitor da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Pedro Gordan, e aos representantes dos sindicatos de servidores e grevistas que encaminhem a proposta de retomar as aulas em duas semanas, no mínimo para todos os formandos, na tentativa de concluir o ano letivo de 2001. A resposta ao pedido do juiz deve ser dada no dia 26 deste mês.
O juiz se reuniu ontem à tarde com o reitor, o presidente da Associação dos Servidores Técnico-Administrativos da UEL (Assuel), Itamar Rodrigues Nascimento, a vice-presidente do Sindicato dos Professores de Londrina (Sindiprol), Ana Maria Pereira, e o procurador regional da República, Mário Ferreira Leite. A oitiva foi convocada, mesmo depois que o Tribunal Regional Federal (TRF), em Porto Alegre, cassou a liminar conseguida pela Justiça Federal local que determinava o retorno ao trabalho de 75% dos servidores da UEL.
Segundo Pereira Júnior, a preocupação da Justiça é garantir o mínimo para a conclusão do calendário de 2001, o que hoje não está ocorrendo. Funcionamento somente da reitoria não é funcionamento mínimo, pontuou o juiz. Se as categorias rejeitarem a proposta, ele adiantou que vai dar continuidade à ação, o que poderá gerar processos de responsabilidade civil, improbidade, prisão por descumprimento de ordem judicial e multas para a UEL e sindicatos dos servidores e professores. Ele não descartou a realização de uma inspeção judicial na universidade.
O prazo de duas semanas para se chegar a uma solução foi estipulado pelas partes. Nesse tempo, eles pretendem questionar na Assembléia Legislativa o projeto de autonomia nas universidades do governo do Estado. Entretanto, há entendimentos contrários nesse ponto entre a reitoria e os servidores em greve. Os dois lados não concordam com o projeto, mas enquanto Gordan quer trabalhar para modificar o texto original, os servidores querem retirá-lo de pauta.
O país está realmente mudando, porque a cidadania está sendo respeitada e não houve uma pressão exarcebada (por parte da Justiça), elogiou Gordan. Segundo ele, 12 dos 40 cursos da UEL ainda nem propuseram a integralização de curso para os formandos.
Na próxima semana, Gordan também irá articular um fim para o impasse com os deputados estaduais em Curitiba. Ele irá com a comissão constituída pelo Conselho Universitário, completada pelo diretor do Centro de Ciências Biológicas (CCB), Luiz Carlos Bruschi, pelos professores Cesar Cagiano Santos e Keneddy Piau, ambos do comando grevista, e pelo diretor do Centro de Estudos Sociais Aplicados (Cesa), Mauro Ticianelli.
O presidente da Assuel, Itamar Rodrigues Nascimento, também saiu satisfeito e acenou com um possível acordo para evitar mais embates no campo jurídico. Mas, para ele, é na assembléia que a negociação pode avançar.


