Juiz critica nomeação de nova diretoria da PEL
O juiz da Vara de Execuções Penais (VEP) e corregedor das prisões em Londrina, Roberto do Valle, não concorda com a substituição do diretor da Penitenciária Estadual (PEL), Raimundo Hiroshi Kitanishi, que será substituído pelo advogado aposentado da prefeitura, Dayson Ferreira de Pinho.
Foi com surpresa e indignação que recebi a notícia da substituição do doutor Hiroshi feita pelo secretário de Estado da Justiça e Cidadania, José Tavares, e pelo deputado Moisés Leônidas (PDT). Os dois não tiveram a consideração e nem ética porque não comunicaram previamente este juiz, com quem o novo diretor deverá trabalhar, desabafou.
O juiz afirma que é sem propósito a substituição, já que inexiste qualquer irregularidade ou reclamação que justifique a saída de Hiroshi. Trata-se de mais uma demonstração de incompetência do governo do Estado em querer atender os deputados estaduais para pagar promessas de campanha, mexendo em setores que funcionam bem.
Para o lugar de Hiroshi, que estava no cargo há um ano e meio, foi nomeado o advogado aposentado da prefeitura, Dayson Ferreira Pinho, escolhido pelo deputado Moisés Leônidas. Para vice-diretor, o deputado convidou o empresário Manoel Gonçalves Neto. Os dois assumem a direção da PEL semana que vem. Hiroshi pediu exoneração do cargo e disse que se sentia magoado pela forma com que foi substituído, pois foi avisado quando Dayson já havia sido escolhido.
Para o juiz Roberto do Valle, os políticos deveriam ter uma maior preocupação com Londrina em relação as obras da Cadeia Pública e a implantação do setor de toxicologia no Instituto Médico-Legal (IML).
As obras da cadeia estão em passo de tartaruga, causando superlotação nos Distritos Policiais e já renderam diversas denúncias de irregularidades e rebelião em massa na Prisão Provisória, que funciona há menos de um ano. A falta de um setor de toxicologia no IML de Londrina tem também causado graves problemas, pois os exames estão sendo realizados em Curitiba. Isto está obrigando a Justiça a colocar traficantes em liberdade por atraso nos laudos, disse o juiz.
Quero deixar claro que não pedi nada. Foi o governador que me pediu para ajudá-lo na escolha de diversos cargos estaduais em Londrina. Entre eles está a direção da PEL. Sou londrinense e sei o que a minha cidade precisa. O juiz Roberto do Valle deveria falar menos e trabalhar mais. Não quero polemizar mais este assunto, afirmou o deputado Moisés Leônidas. O secretario José Tavares não quis comentar sobre as declarações do juiz, disse apenas que na próxima semana virá à Londrina para dar posse aos novos diretores.Arquivo FolhaRoberto do Valle: Não fui comunicado sobre as substituiçõesPaulo Ubiratan





