Londrina
Carlos Eduardo Stein, que prestava depoimento como testemunha de acusação, foi preso ontem durante julgamento no Fórum de Londrina. A prisão - por falso testemunho - aconteceu quando era julgado o réu Alceu Silvestre, que em 11 de junho de 1995 matou com um tiro na cabeça, Santil Domingos Gonçalves Filho. Carlos Eduardo foi levado à 10ª Subdivisão Policial e responderá inquérito policial em liberdade.
O crime de homicídio ocorreu em frente à praça da igreja matriz de Tamarana, que na época era distrito de Londrina. Carlos Eduardo é a única testemunha do homicídio e estava com a vítima no interior de carro quando aconteceu o crime. A prisão da testemunha foi solicitada pelo promotor Janderson Yassaka, sob a alegação que Carlos Eduardo mentiu em plenário, contrariando o depoimento que havia já dado em juízo. Nos depoimentos anteriores, Carlos Eduardo reforçava a tese da promotoria: homicídio qualificado (praticado por motivo fútil e de surpresa).
Alceu Silvestre foi condenado a 14 anos de reclusão em regime fechado, pelo juiz Jurandir Gonçalves Junior, que presidiu o Tribunal de Júri. O advogado de defesa, Luiz Tavanaro Gaya, recorreu da sentença, com base no falso testemunho de Carlos Eduardo. ‘‘A única testemunha do fato foi anulada porque mentiu, e diante disso deve prevalecer a palavra do réu. Em virtude desse desencontro, a decisão dos jurados foi contrária às provas dos autos do processo’’, afirmou Gaya. No seu recursos feito em plenário, o advogado também alegou que o inquérito policial estava falho, pois além do homicídio não ter sido investigado a Polícia Técnica não compareceu ao local para fazer a perícia necessária.
A defesa disse que o réu agiu em legítima defesa. No entanto, prevaleceu a tese da promotoria - homicídio qualificado. A vítima passava de carro pela praça, quando na rua Alceu Sivestre teria gritado: ‘‘Tá encarando, o quê?’’ Santil teria parado o carro, quando o acusado se aproximou e disparou o tiro. O réu tinha uma briga antiga com o irmão da vítima. A condenação de Alceu foi firmada pelos jurados por 4 votos a 3. Os jurados foram unânimes (7 x 0) ao votarem o quesito de que o testemunho de Carlos Eduardo foi mentiroso.
Moradores de Tamarana - que vieram à Londrina assistir ao Júri - disseram que a testemunha estava com medo de falar, por ter sido ameaçada de morte.
O julgamento de hoje foi suspenso a pedido do advogado do réu Wilson da Silva, conhecido por ‘‘Pedrada’’, que solicitou exame de sanidade mental ao seu constituinte. O réu matou, em 26 de abril deste ano, Enilson Rodrigues da Silva com um ‘‘estoque’’ (punhal feito artesanalmente), quando ambos estavam presos no interior de uma cela do 2º Distrito Policial. Quando cometeu o crime, o réu já estava condenado a oito anos e oito meses de prisão por ter matado a pedradas Enoch Vieira no dia 2 de julho do ano passado.
Amanhã, serão julgados Fernando Cece, Maria Aparecida Gonçalves Cece e Idair Cece, que em 30 de agosto de 1981, teriam ajudado a matar - a pauladas e golpes de foice - Edmundo Alvino Siqueira.

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