Juiz condena quatro policiais à prisão
Paulo Pegoraro
Quatro policiais civis, entre eles um delegado, e um informante (alcaguete) que atuavam na Comarca de Capanema (112 km a oeste de Francisco Beltrão) foram condenados à prisão. Os policiais também perderam a função. Eles são acusados de crimes, ou co-autoria, e abuso de autoridade. As sentenças, em primeira instância, de autoria do juiz criminal Márcio Geron, foram comunicadas ontem pelo Ministério Público (MP) daquela comarca, de quem partiram as denúncias contra os policiais Antonio da Rosa (delegado), José Maria Vieira da Silva e José Carlos de Souza (investigadores) e Altair José Lacerda (escrivão) e o informante Reinaldo Cursio.
Rosa, Lacerda, Cursio e Souza foram condenados a 4 anos e 6 meses de prisão, e Silva a 4 anos e 4 meses. Todos também receberam penas pecuniárias, variando de 43 a 130 salários mínimos (o delegado). Rosa, Lacerda, Cursio e Silva haviam sido denunciados pelo promotor Guilherme Teixeira, por terem tentado extorquir R$ 10 mil de um morador da cidade de Planalto para não prendê-lo por suposto crime de aliciamento de um trabalhador. O morador e seu filho, identificados pelo MP ontem apenas como I.M.B. e E.B., respectivamente, chegaram a ser levados para a Delegacia de Capanema, depois de terem a casa invadida sem ordem judicial.
Antonio da Rosa atuava ultimamente em Pitanga (88 km ao norte de Guarapuava), José Maria da Silva em Foz do Iguaçu (Oeste) e Altair José Lacerda em Francisco Beltrão (Sudoeste), enquanto aguardavam a conclusão do processo. Além da prisão, perda da função e multas, o juiz Márcio Geron declarou-os inabilitados para o exercício de qualquer outra função pública (em qualquer instância) por um período de três anos. O local para cumprimento da prisão é a Colônia Penal Agrícola, em Curitiba, em regime semi-aberto. Eles poderão apelar das sentenças em liberdade.
José Carlos de Souza é o único que já está preso - em Curitiba -, e permanecerá nesta condição até o julgamento de eventual recurso que apresente. O investigador havia sido denunciado no início do ano pelos promotores Jorge César de Assis e Aline Bahr, por fornecer maconha a adolescentes na própria Delegacia de Polícia de Capanema, e com elas usar o entorpecente. Ele responde também outros processos, sob acusação de manter relações sexuais com adolescentes na Delegacia, liberar presos para que comprassem bebidas alcoólicas, e promover festas com os presos e menores carentes.
Os promotores também formalizaram denúncia no início do ano contra o ex-delegado de Polícia de Capanema Rubens Lachowski que, por isso, já chegou a estar preso preventivamente em Curitiba. Ele é acusado de estupro presumido de uma garota de 13 anos, e responsabilidade sobre o desaparecimento do líquido de frascos de lança-perfumes que estavam sob a guarda da Polícia.





