Cascavel - A decisão do juiz substituto da 2 Vara Criminal do Fórum de Cascavel, Paulo Damas, em conceder habeas corpus a dois assaltantes revoltou as policiais militares que prenderam a dupla, após uma violenta troca de tiros. Os réus confessos Valmor Rodrigues Padilha e Edervilson Boll ficaram presos apenas 10 dias após serem flagrados roubando uma farmácia no centro de Cascavel.
Alguns policiais militares - que não quiseram se identificar - procuraram a Folha para reclamar da atitude do magistrado. Os policiais questionaram os motivos dos acusados terem sido autorizados a responder pelo crime em liberdade. Eles lembraram que inocentes poderiam ter morrido, pois os bandidos atiraram para todos os lados.
O comandante do 6º Batalhão de Polícia Militar, tenente-coronel Antônio Amauri Ferreira de Lima, disse lamentar profundamente a decisão judicial, por entender que a libertação dos assaltantes serve de estímulo para que novos delitos sejam cometidos. Ele entende que a legislação brasileira precisa ser modificada para que novos casos semelhantes não ocorram. ''Não vamos nos abater. Continuaremos prendendo, afinal faz parte do nosso trabalho'', ressalta.
O gerente da farmácia assaltada, que pediu para que a empresa e ele não fossem identificados, contou que os funcionários e clientes que estavam no local no momento da ação ficaram grande parte da madrugada do dia 3 de agosto dentro da delegacia prestando depoimento e fazendo o reconhecimento dos acusados. ''É melhor nem falar muito. É uma falta de respeito'', reclamou.
O delegado Valmir Sóccio afirmou que apenas cumpriu uma determinação judicial e libertou os dois assaltantes. Ele acrescentou que não poderia entrar no mérito da decisão do juiz. O magistrado Paulo Damas foi procurado pela Folha, mas sua assessoria informou que ele não poderia atender a imprensa por estar em audiência.

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