Juiz autoriza remoção de 14 presos
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terça-feira, 20 de maio de 1997
Lucília Okamura 
O juiz da Vara de Execuções Penais e corregedor das cadeias de Londrina, Roberto Ferreira do Valle, determinou, ontem à tarde, a remoção de 14 detentos dos distritos policiais para a Penitenciária Estadual de Londrina (PEL) e delegacias da região. A medida visa tentar minimizar a superlotação nos DP. As remoções devem ser realizadas hoje de manhã.
A determinação do juiz foi comunicada ontem à tarde ao delegado do 2º DP (zona leste), Antonio Zuba de Oliva. A maioria das remoções (nove) ocorre no 2º distrito, que é o mais superlotado da Cidade, com 97 detentos, sendo que a capacidade é de 24. O delegado Zuba explica que, segundo os mandados de internação do juiz, seis detentos serão transferidos para a Penitenciária Estadual de Londrina - um do 2º DP e o restante dos 3º e 4º distritos. Ele evitou dar nomes dos detentos a serem removidos.
Além disso, o juiz autorizou o delegado Zuba a remover cinco presos do seu distrito para a delegacia de Uraí e outros três para Congoinhas, no Norte do Estado. A escolha dos nomes dos presos que vão para estas duas cidades ficará a critério do delegado. Irão os presos de melhor comportamento, adiantou. Todas as remoções do 2º DP acontecem hoje de manhã.
O delegado afirma que o número de remoções não resolve muito o problema da superlotação. Mas pelo menos algo está começando a ser feito, completa. A superlotação nos distritos se agravou com a rebelião ocorrida no último sábado, no 3º Distrito Policial, no jardim Bandeirantes (zona oeste). Os 75 presos ficaram rebelados das 14h30m às 17 horas e destruíram parte das celas e cadeados. Eles reclamaram da superlotação e da insalubridade, mas o motivo maior da revolta foi o espancamento que alguns deles teriam sofrido por policias militares, durante uma revista. Os presos teriam passado pelo corredor polonês.
Alguns dos presos daquele distrito foram transferidos para o 2º e 4ª DPs - o 5º DP (zona norte) está interditado e em reformas. No 4º DP estão 74 detentos e, no 3º Distrito, 34 presos. Dos 97 detentos do 2º DP, 31 vieram do 3º distrito após a rebelião. Anteontem e ontem, por determinação do juiz da 4ª Vara Criminal, Arquelau de Araújo Ribas, foram libertados três presos - Suzana Xavier Belini, Euclides Manoel Lapichesk e Scarlet Lopes. Os dois primeiros estavam detidos por furto e a terceira, por tráfico de entorpecentes.
Os três puderam deixar o distrito por terem pago fiança ou ganharam liberdade provisória. O delegado observa que ontem de madrugada estas vagas foram novamente preenchidas, já que foram presas três pessoas, todas por furto.
Sobre as ameaças dos detentos de matarem um por dia caso o problema não seja solucionado, Zuba de Oliva diz ter conhecimento. Mas observa que não sabe os nomes das pessoas que já foram sorteadas para morrer. Se existe mesmo esta promessa, não estamos conseguindo descobrir quem são as pessoas, afirma. Ele explica que, se tivesse acesso aos nomes, pediria a transferência destes detentos.
Ontem foi dia de visita de presos no 2º distrito e, diante das ameaças dos detentos de provocar uma rebelião, o delegado solicitou ajuda do 5º Batalhão da Polícia Militar.
Ontem à tarde, policiais militares, inclusive do Batalhão de Choque, ficaram a tarde toda na delegacia. Zuba de Oliva não quis dizer quantos PMs estavam à disposição na delegacia. É um número sufuciente se não para impedir a rebelião, pelo menos para evitar que fujam.
Segundo Zuba de Oliva, o comandante do 5º BPM, tenente-coronel Marino Ari Burille, se prontificou a dar reforço policial enquanto a situação estiver crítica. O comandante esteve à tarde no distrito conversando com o delegado.
Na opinião de Zuba de Oliva, a solução para a superlotação dos distritos é a construção, o mais rápido possível, da Cadeia Pública de Londrina. Em menos de um ano, com certeza, se constrói um presídio, observa.


