O juiz da Vara de Execuções Penais de Londrina, Roberto do Valle, disse ontem à Folha que em fevereiro, quando retornar das férias, vai instaurar um procedimento administrativo para apurar denúncias feitas anonimamente sobre irregularidades na Penitenciária Estadual de Londrina (PEL).
O juiz diz que no ano passado solicitou abertura de inquérito para apurar denúncias de tráfico de drogas na PEL. Quanto à carta, ele comentou que muita coisa que está escrita ‘‘foge à verdade’’, principalmente a denúncia de que existem privilégios para presos ricos. No documento, também há acusações sobre funcionários que estariam ganhando sem trabalhar.
A carta-denúncia foi recebida pelo juiz, com cópia para diversas autoridades, inclusive o presidente da Câmara de Vereadores, Adalberto Pereira da Silva (PFL) e a vice-governadora Emília Belinati (PTB).
O presidente da Câmara remeteu anteontem um ofício pedindo ao secretário da Justiça, Edson Vidal, investigações sobre as denúncias. Adalberto disse que ficou ‘‘revoltado’’ ao saber que o secretário Vidal não iria tomar providências porque estava demissionário do cargo para concorrer às eleições de procurador-geral do Estado. ‘‘Mesmo que o doutor Vidal permanecesse apenas mais alguns minutos no cargo, deveria tomar alguma atitude. A carta é anônima, mas os detalhes comprovam que o autor sabe do que está falando’’.
O assunto deverá ser resolvido pelo novo secretário de Justiça. A assessoria da vice-governadora também mandou uma cópia da carta-denúncia à Secretaria de Justiça, exigindo providências.
O vice-diretor da PEL, Maurício José Sanches, afirma que as denúncias da carta são ‘‘absurdas e apócrifas’’. Mesmo assim, ele diz ter encaminhado uma cópia da carta para o diretor do Departamento Penitenciário, Sizenando Vieira Paredes.
Sanches ocupa interinamente a direção da PEL. Há quatro meses a Penitenciária está sem um nome definitivo no cargo. O último escolhido para o diretoria foi o advogado Luis Carlos Queiroz, que acabou não sendo empossado por pressão dos funcionários da PEL. ‘‘Vamos investigar as denúncias e tentar descobrir quem escreveu a carta, pois essa pessoa mentiu e deve ter algum interesse maior em denegrir a nossa imagem’’, afirmou Maurício Sanches.

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