O juiz Rosaldo Pacagnan, 30 anos, da 2ª Vara Criminal da Comarca de Cascavel, revelou ontem à Folha que está considerando a possibilidade de pedir afastamento, ‘‘por questão de isenção’’, do processo que conduz, envolvendo três delegados e três investigadores da Polícia Civil (PC). Eles foram denunciados pelo Ministério Público (MP) por suposta conivência com a atuação de Ivan Serafim Borges, 34 anos (também denunciado), preso por usurpação da função de policial. O assassinato do magistrado (e de promotores do caso) estaria sendo planejado por Borges, segundo denúncia feita por um policial militar preso na mesma cela de Borges, no 6º BPM.
Rosaldo Pacagnan disse que não se amedronta com a ameaça, e se efetivamente se afastar do caso, será para garantir a isenção do processo, porque a ele caberá julgar o autor do suposto plano. O juiz reconhece que a situação ‘‘é delicada’’ e prefere não emitir ‘‘juízo de valor’’, mas considera a possibilidade de que os próprios advogados de defesa de Ivan Serafim Borges possam questionar sua participação no processo. Ele frisa que o magistrado deve ‘‘sempre manter a isenção e o equilíbrio, que não podem ser postos em dúvida’’, por isso considera seu afastamento ‘‘uma hipótese possível’’, embora desejasse continuar no processo.
Pacagnan interrogou ontem à tarde o primeiro dos processados, o delegado Ary Nunes Pereira, 45 anos. A denúncia do MP contra ele refere-se ao ‘‘conhecimento e aquiesciência’’ à entrega de uma pistola israelense, de uso proibido, a Ivan Borges, pelo investigador Ivo Haas, que havia recebido a arma (em depósito) do delegado-chefe da 15ª SDP, Osnildo Carneiro Lemes - ele e Haas também foram denunciados por ‘‘conivência’’ com a atuação de Borges, assim como a delegada da Mulher Elaine Aparecida Ribeiro, o superintendente da 15ª SDP, Manoel Pedro dos Santos, e o investigador Gilberto Ardanaz.
Segundo o MP, Osnildo, Manoel e Ardanaz forneciam armamento, colete e chave de um carro policial a Borges, que usava carteira falsa da PC, e, com isso, ‘‘auferia vantagem para si’’. Os promotores citam flagrante realizado pela delegada Elaine, de tráfico de drogas, acompanhada de Borges (e Ardanaz).
Os denunciados preferem não dar entrevista, e o delegado Ary Pereira pediu para não ser fotografado, ontem, ao chegar ao Fórum para o interrogatório. Os investigadores serão interrogados amanhã, o delegado Osnildo Lemes sexta-feira e a delegada Elaine Ribeiro ainda será citada, por estar viajando.
Foto trocada A foto publicada ontem na Folha Cidades sobre a descoberta do plano de assassinato é do juiz Sérgio Kreutz, e não de Rosaldo Pacagnan, como foi identificado.

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