Juiz ameaça fechar DP se carceragens forem desativadas
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quarta-feira, 01 de julho de 1998
Lúcio Horta 
O juiz corregedor Roberto do Vale, da Vara de Execuções Penais (VEP) de Londrina, afirmou ontem que poderá interditar o 2º Distrito Policial (na zona oeste), caso ocorra a desativação da carceragem dos demais distritos da Cidade.
A informação sobre a desativação das carceragens dos DPs, após o início de funcionamento da Prisão Provisória, foi dada anteontem pelo delegado-chefe da 10ª Subdivisão Policial de Londrina, Wanderci Corral Fernandes. Ele pretende manter apenas a carceragem do 2º DP.
Roberto do Vale argumenta que não tem sentido manter dois locais - distrito e Prisão - superlotados se há outros lugares na Cidade para acomodar presos. Isso é um absurdo, se acontecer vou ter que tomar providência, garante. O juiz lembra que a Prisão tem capacidade para 144 presos enquanto os distritos policiais mantinham até ontem cerca de 270 pessoas detidas, entre homens e mulheres (77 só no 2º DP). E o excedente, vai para onde?, questiona. Não dá para jogar todo mundo num distrito só.
Roberto do Vale lembra também que o número de presos em Londrina vem crescendo diariamente. Afirma que, para cada três presos que são liberados, entram outros cinco. Ainda segundo ele, o único distrito que deveria não receber mais presos é o 5º DP, porque é muito longe da Cidade e dificultaria, por exemplo, o trabalho para tentar evitar uma rebelião. Já o 3º e o 4º DPs, acredita, podem continuar recebendo presos normalmente.
O juiz da VEP diz ainda que, por enquanto, não tem qualquer informação sobre como será a administração da Prisão Provisória. Tudo o que sei é o que sai na imprensa. Como não é competência minha, não fui informado e não sei como vai ficar, diz. Ele critica ainda a intenção de levar presos acima da capacidade da Prisão e teme que, entre inauguração oficial, que ocorre hoje, e a transferência dos presos, passem muitos dias. Anteontem, Wanderci Corral disse que pretende transferir para a Prisão 180 presos, 36 a mais do que a capacidade total.
Roberto do Vale reclama também que das três principais alterações que pediu na obra da Prisão - colocação de grades no corredor central, muro do pátio de sol de concreto no lugar do alambrado e a construção de uma passarela ligando a cozinha e o refeitório -, apenas as duas primeiras foram atendidas. Observa também que essas modificações não foram responsáveis pelo atraso no cronograma da obra, como chegou a ser divulgado. Vamos esperar funcionar para ver o que vai acontecer.
O delegado Wanderci Corral Fernandes não quis comentar as críticas do juiz da VEP. Apenas confirmou que a idéia é reservar apenas o 2º DP para receber presos, além da Prisão. O objetivo é deixar tudo num só distrito, onde haveria mais segurança. Mas primeiro vamos fazer a transferência e depois analisar a situação. Se houver necessidade, se ficar superlotado, aí pode ser que ativo outro distrito, pondera.
Wanderci Corral argumenta também que, desativando a carceragem dos outros distritos, aumentaria o número de policiais militares trabalhando na investigação. Eles deixariam de fazer o serviço de carceragem, como acontece hoje. Além disso, o delegado não acredita que o 2º Distrito possa ficar superlotado com a desativação da carceragem dos outros DPs.
O delegado lembra que em breve todos os menores que estão no Serviço de Triagem, Recepção e Encaminhamento de Menores (Setrem), que funciona no prédio do 2º DP, deverão ser transferidos para o Centro Integrado de Atendimento ao Adolescente Infrator (Ciaadi). O centro está sendo construído próximo ao Hospital Universitário (HU). Por isso, afirma, além das 24 vagas do distrito, serão abertas outras 24 que hoje são destinadas aos menores.
A situação do 2º DP também deve melhorar com a transferência de oito presas condenadas para Curitiba. A transferência, que acontecerá ao meio-dia, deveria ter sido feita ontem à tarde, mas houve problemas no transporte. Até ontem, 41 presas ocupavam o setor feminino do distrito, além de 26 homens.
O engenheiro-chefe regional do Departamento Estadual de Construção, Obras e Manutenção (Decom), Marcelo Paulino, esclareceu que a alteração proposta pelo juiz da VEP no projeto da Prisão Provisória, não foi atendida por questões técnicas. Ele comenta que a construção de uma passarela externa ao prédio, como foi sugerido por Vale, alteraria o projeto original e criaria problemas de segurança. Paulino acrescenta que o próprio delegado-chefe da 10ª SDP achou melhor não promover a mudança.


