Juiz acata denúncia contra PMs envolvidos em morte
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sexta-feira, 28 de abril de 2006
Luciano Augusto<br> Reportagem Local 
A promotora da 1ª Vara Criminal de Londrina, Susana Feitosa de Lacerda, ofereceu e o juiz João Luiz Cléve Machado, acatou denúncia contra quatro policiais militares envolvidos na morte do jogador de futebol Raphael Bezerra da Silva, 20 anos. Ele foi baleado por policiais da Rone em 15 de novembro de 2004 e faleceu 41 dias depois, no Hospital Universitário. A vítima foi atingida no interior de uma residência localizada no Conjunto Ernani Moura Lima (Zona Leste) depois de, supostamente, ter sido confundido com um assaltante que havia roubado um veículo no centro da cidade.
Os policiais Rangel Barbosa da Cunha e Edney Ronaldo Gomes foram denunciados por homicídio qualificado por motivo cruel e fraude processual. Segundo a denúncia, os dois teriam entrado armados na residência onde Raphael estava na companhia de outros dois rapazes. (...) Livres e conscientes da ilicitude de suas condutas, um aderindo à conduta do outro, sem que a vítima Raphael pudesse esboçar qualquer defesa eficaz, alvejaram-na por diversas vezes, apontou a promotora. Outros dois policiais que estavam na viatura da Rone, Sérgio Fontanetti e André Luiz de Almeida Figueiredo, foram denunciados unicamente por fraude processual.
Conforme a argumentação da promotora, os quatro PMs adulteraram a cena do crime, inserindo um revólver calibre 38 como se fosse a arma que estava em poder de Raphael e que supostamente teria sido utilizada pela vítima como reação à ação policial. Além disso, os policiais teriam sumido com a camiseta da vítima para que não se pudesse constatar a que distância teriam sido efetuado os disparos e qual a postura da vítima.
Teriam também desorganizado o local do crime espalhando lixo e recolhendo e desaparecendo com projéteis. Ainda terima disparado a arma que teria sido apreendida com Raphael, para justificar que Raphael teria atirado contra eles.
Com o acatamento da denúncia, os PMs serão julgados pelo Tribunal do Juri - juri popular. A primeira audiência foi marcada para o próximo dia 5 de maio.
O pai do jogador morto, José Carlos da Silva, disse ontem que sempre acreditou na Justiça. Nunca perdemos a confiança na Justiça e na coragem fantástica da promotora Susana. A família chora sim pela dor da saudade e pela perda, mas não quer chorar por uma morte em vão, desabafou.
A reportagem da Folha tentou contato com a advogada dos policiais, Maria Lúcia Ferreira Barbosa, mas seus telefones de contato não foram localizados. Os PMs respondem ao crime em liberdade.


