Juiz acata denúncia contra ex-delegado
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quarta-feira, 09 de abril de 2003
Andréa Lombardo<BR>Equipe da Folha 
Curitiba O ex-delegado-geral da Polícia Civil Leonyl Ribeiro vai responder a processo judicial por tráfico de influência, previsto no artigo 332 do Código Penal. Ele teria facilitado a atuação de uma quadrilha de roubo de cargas, supostamente liderada pelo empresário Mário Fogassa, que está foragido. O juiz de Rio Negro (109 km a sudoeste de Curitiba), Hélio Engelhardt, decidiu, anteontem, acatar a denúncia oferecida pelo Ministério Público (MP) estadual em novembro de 2002.
Segundo informações do Cartório Criminal do Fórum de Rio Negro, será expedida carta precatória para que Ribeiro preste depoimento em Curitiba. O juiz não foi encontrado para comentar a decisão.
O advogado de Ribeiro, Rolf Koerner Júnior, disse ontem que quando for notificado vai entrar com pedido de habeas corpus para livrar seu cliente da denúncia. Ele também irá pedir ao juiz que se pronuncie sobre a ''falta de competência do juízo'' em acatar a acusação. Esse foi embasamento de sua defesa prévia junto à Justiça de Rio Negro.
Segundo Koerner, Ribeiro teria direito a foro privilegiado e não poderia ter sido denunciado em primeira instância, assim como o ex-secretário de Segurança Pública José Tavares e o deputado estadual Carlos Simões, também citados na mesma denúncia. Mas as acusações contra os dois não foram consideradas pelo procurador de Justiça Francisco Albuquerque de Siqueira Branco, que concluiu que as provas apresentadas não evidenciaram o tráfico de influência.
Ao todo, 26 pessoas foram denunciadas pelo MP por envolvimento com a quadrilha de roubo de cargas. Dezesseis delas estão presas, entre elas os delegados Armando Marques Garcia e Margareth Motta (que está em prisão domiciliar) e o superintendente Hélcio Piasseta. Os três trabalhavam na Delegacia de Estelionato e Desvio de Cargas, na Capital. Outros acusados têm mandado de prisão decretado, mas continuam foragidos.
Todos os denunciados respondem, além dos crimes de formação de quadrilha, roubo e receptação de cargas, pelo homicídio do vereador Divonzir Rodrigues, de Campo do Tenente (81 km ao sul de Curitiba). Foram as investigações desse assassinato que levaram o MP a desbaratar a quadrilha. Ainda de acordo com informações do Cartório Criminal de Rio Negro, inclusive os acusados de receptação responderão por homicídio, devido à conexão com a quadrilha.


