ReproduçãoResistênciaMaioria dos judeus de Varsóvia morreu lutando; os que conseguiram fugir criaram facção da resistência polonesaJudeus em todo mundo relembram hoje o Dia do Holocausto, recordando a morte de seis milhões de semitas nos campos de trabalho e de concentração nazistas durante a Segunda Guerra Mundial. Com rezas e palestras, eles trazem à tona o maior pesadelo da história da humanidade, que só terminou com a morte, em 1º de maio de 1945, de Adolf Hitler.
‘‘Para o povo judeu o holocausto representa uma tragédia que não pode ser esquecida, porque o fim desse povo não se consumou por pouco, por mera casualidade da guerra’’, afirma o historiador Sérgio Feldman, professor de hebraico da Escola Israelita Brasileira Salomão Guelmann do Paraná. Em Curitiba, a data será lembrada em um ato na Escola Israelita e em rezas na sinagoga.
Para o professor, este dia serve para que a humanidade lembre do extremo da violência, que se repete no cotidiano em muitos lugares do mundo e de forma diferente. ‘‘Por isso, o holocausto deve ser o símbolo dessa barbárie’’, destaca Feldman. O professor cita como exemplo de pequenos holocaustos que ainda acontecem os conflitos étnicos na Iugoslávia.
Ele afirma que o massacre dos judeus na Europa foi um dos mais violentos incidentes da história da humanidade. ‘‘Os judeus estavam acostumados a não reagir às agressões anti-semitas, pois não se consideravam cidadãos em seus países. Por isso, foram mortos com facilidade pelos alemães’’, comenta.
Essa passividade judaica teria duas vertentes. ‘‘Em relação ao judeu do leste europeu, existia uma tradição de perseguições, que vinham do czarismo, com seus progroms’’, comenta. Quanto ao judeu da Europa Ocidental, eles estavam assimilados à sociedade européia. ‘‘O judeu alemão considerava-se mais alemão que o próprio alemão. Eles diziam-se alemães com alma judia’’, diz. Essa certeza fez com que muitos deles não pudessem mais sair do país, quando os conflitos se intensificaram.
As únicas reações judias contra o nazismo vinham dos jovens, que recebiam novas idéias do comunismo ou do sionismo. O Dia do Holocausto marca uma dessas revoltas. A data é a mesma em que ocorreu o levante do Gueto de Varsóvia, quando quase 60 mil judeus resistiram contra as tropas alemãs por 31 dias. ‘‘Um pequeno exército de ‘ratos de esgoto’ resistiu aos aviões e tanques nazistas mais tempo que o exército polonês resistiu à ocupação alem㒒, conta o historiador. A maioria dos judeus de Varsóvia morreu na luta, mas uma pequena parcela deles fugiu, montando uma facção da resistência polonesa.
Anti-semitismo- Para Feldman, o anti-semitismo alemão foi moldado em estereótipos criados na sociedade alemã durante a Idade Média. ‘‘Nesta época, o judeu, que não podia ser dono de terra, nem trabalhar nela, bem como fazer parte do clero, foi empurrado para a prática da usura’’, fala. Como a usura era condenada pela igreja, eles ganharam fama de demoníacos. ‘‘Os semitas também condenam a usura, mas os rabinos tiveram que abrir uma brecha, para que a comunidade pudesse sobreviver’’.
Esses símbolos foram resgatados no século XIX, quando aconteceu o nacionalismo alemão. ‘‘Depois voltaria com Hitler, que pregava a raça pura’’, diz. O problema, prossegue, é que nenhum membro da cúpula nazista era um ariano puro. ‘‘Bastava ver que a maioria tinha cabelos e olhos castanhos’’, descreve.
Revisionismo- Sérgio Feldman diz que, apesar de grande parte da população mundial ter vergonha das práticas do nazismo, ele teme o resurgimento delas, através dos revisionistas. ‘‘Eles querem distorcer a realidade, afirmando que não houve o holocausto’’, critica. Feldman explica que a intenção do revisionismo é afirmar que houve exagero neste período. ‘‘O maior foco deles é no sul do Brasil’’, diz. Para Feldman, a melhor forma de evitar o recrudescimento de idéias nazistas e racistas é com a divulgação dos fatos. ‘‘As pessoas não devem esquecer o que aconteceu. Existem reportagens e filmes que podem servir de prova para quem quiser conhecer mais sobre o assunto’’, diz.

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