Marcelo AlmeidaCulto à vidaO rabino Moguilevsky na sinagoga: os mortos devem descansar em paz e os vivos devem seguir suas vidasA comunidade judaica não costuma ir com muita frequência ao cemitério, mas lembra as almas dos mortos em quatro festividades durante o ano: Pessach (Páscoa), Shvuot (Pentecostes), Sucot (Festa das Cabanas) e Yomkipur (Dia do Perdão). ‘‘Não fazemos culto aos mortos. A pessoa que faleceu tem que descansar em paz e os seres vivos têm que seguir sua vida’’, observa o rabino Simón Moguilevsky, da sinagoga de Curitiba.
Quando um judeu morre, seu corpo é lavado (‘‘para se apresentar purificado e limpo ao tribunal celestial’’, explica o rabino) e recebe mortalhas - vestimentas feitas de pano comum, branco, sem acabamento. ‘‘Todas as pessoas, ricas ou pobres, recebem o mesmo tratamento para simbolizar que todos são iguais nesse momento’’, diz Simón Moguilevsky. O corpo da pessoa falecida não é exposto no caixão antes do enterro, ao contrário do que normalmente ocorre no ritual dos católicos.
Quando a pessoa morre durante o Shabat (dia do descanso, que vai de sexta-feira depois do pôr-do-sol até o final da tarde de sábado), ela só pode ser enterrada no domingo.
O período de luto entre os judeus é dividido em três partes: Shiva, a primeira semana; Shloshim, o mês; e Yortzait, o primeiro ano. Segundo a tradição judaica, após o enterro os amigos ou parentes devem preparar uma refeição onde se costuma servir um ovo duro, símbolo de uma nova vida e esperança para o futuro.
Durante a primeira semana não é recomendado trabalhar, usar sapatos de couro, sair de casa, manter relações sexuais ou se barbear. Os espelhos devem permanecer cobertos e se acende uma vela pelos sete dias. Nos 30 dias de luto, as proibições se restringem a não frequentar lugares de diversão, não cortar o cabelo e não ir ao cemitério.
Ao completar o primeiro ano de falecimento, os familiares vão ao cemitério para colocar a lápide sobre o túmulo (a Descoberta de Matzeiva) e participar de uma cerimônia especial, quando se recita o Kadish - uma oração que não fala dos mortos, mas é um louvor a Deus. O Kadish também deve ser recitado pelos filhos homens diariamente durante 11 meses após a morte, em lembrança aos pais.

mockup