Congregar a comunidade mulçumana com cristãos e judeus foi um dos objetivos fixados na IX Assembléia Nacional do Diálogo Católico-Judaico, que terminou ontem em Curitiba. De acordo com os 60 representantes das duas comunidades, a intenção é estabelecer um diálogo entre as religiões por meio de igrejas, sinagogas e mesquitas, independente das conversações realizadas pelos governos dos países envolvidos.
‘‘Este ano, tivemos a primeira participação de um representante da comunidade islâmica. No próximo, os esforços serão para que toda a coletividade muçulmana sente para dialogar’’, avaliou dom Ivo Lorscheiter, responsável pelo Ecumenismo e Diálogo Religioso da Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Quem representou a comunidade islâmica foi o professsor da Universidade de São Paulo, Mohamed Habib.
Lorscheiter entende que o período de intolerância entre as religiões deve se encerrar ainda na virada do século, porque estaria havendo maior desejo pela paz. ‘‘As diferenças religiosas devem ser entendidas e aceitas para que o diálogo entre as comunidades aconteçam plenamente’’, disse. Na avaliação do rabino Simon Moguelevski, da comunidade judaica de Buenos Aires, o principal entrave para efetivar a paz religiosa continua a ser o radicalismo, gerado por ‘minorias bastante barulhentas’.
Entre as decisões do encontro, ficou estabelecido um revisionismo nas escrituras da Igreja Católica da Idade Média e do holocausto. ‘‘A verdade sobre esses temas vai surgir’’, afirmou Lorscheiter. Para o rabino Mogueleski, é preciso olhar para os escitos religiosos com uma visão da época em que foram escritos. As conclusões do encontro devem ser enviadas ao Vaticano.

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