Judeus começam a comemorar a Páscoa
Hoje, a comunidade judaica paranaense começa se preparar para as comemorações da páscoa judaica (Pessach). A partir das 18h25, quando surgir a primeira estrela no céu, as 1,5 mil famílias do Estado iniciam os ritos que relembram a saída do povo hebreu do Egito. As comemorações duram oito dias. Em Curitiba, será feita uma cerimônia na sinagoga Francisco Frischmann.
Além da libertação do povo judeu do cativeiro no Egito, a data marca também outras festividades: a do pão ázimo (Chag Hamatzot) e da primavera (Chag Haaviv). Literalmente, Pessach seria passar por cima. Esta expressão traduz a ação de Deus, que passou por cima das casas dos hebreus, na matança dos primogênitos no Egito.
O Pessach começa no 15º dia do primeiro mês do calendário judaico (Nissan - Primavera) e dura oito dias. No entanto, a festa começa a ser preparada bem antes. Durante a semana que antecede a festa, os judeus realizam uma limpeza na casa, retirando todos os alimentos fermentados (chamêts).
Quando os judeus saíram do Egito, não tiveram tempo de preparar o pão, levando apenas a massa, que criou o pão ázimo ou matzá. Para lembrar essa saída, as famílias deixam de comer pão, nos oito dias de festa, substituindo por alimentos a base de matzá. Tradicionalmente, os alimentos com fermento são doados a quem passa necessidade. Esta ação recebe o nome de Maot Chitin.
Na primeira noite de Pessach, as famílias se reúnem para fazer uma jantar especial, chamado de sêder, que é baseado na Hagadá de Pessach (ou narração da páscoa). O jantar familiar se repete nos dois primeiros e dois últimos dias da festa.
Nesse jantar, os judeus preparam uma bandeja especial (denominada Keará), que traz os símbolos da festa. Nela, estão as raízes fortes e ervas amargas (Maror e Chazeret), que lembram a amargura dos tempos de escravidão; um pedaço de frango ou cordeiro (zeroa), que representa o cordeiro pascal sacrificado, cujo sangue serviu para marcar as portas dos hebreus quando passou o anjo da morte.
Além desses alimentos, são colocados na bandeja a água salgada, que lembra a lágrima derramada pelos escravos; o charosset (maçã, nozes, castanha e canela), que lembra os tijolos fabricados pelos judeus; karpas (verdura), que simboliza a primavera e a renovação da natureza; e um ovo (beitzá).
Na mesa se colocam também três matzot (pães ázimos), que representam as três tribos judias - Cohen, Levi e Israel. É guardado também um lugar para o profeta Elias, que passa pela casa para beber uma taça de vinho com a família.





