Rubens Burigo Neto
De Curitiba
Especial para a Folha
Os judeus encerram ao pôr-do-sol de hoje o jejum de 24 horas pela celebração do Yom Kipur, o dia do perdão para a religião judaica. Todas as pessoas do sexo masculino com mais de 13 anos e, do feminino, com idade superior a 12, exceto grávidas e doentes, cumprem o ritual. O Yom Kipur acontece dez dias depois do Rosh Hashaná, o Ano Novo judaico. ‘‘Deus julga no Ano Novo e assina o veredito no Yom Kipur’’, justifica Sérgio Alberto Feldman, professor de história e diretor de cultura judaica da Escola Israelita de Curitiba.
Segundo Feldman, raros são os judeus que não celebram o Yom Kipur. ‘‘Não podemos ser alheios aos sofrimentos dos outros, judeus ou não. Durante o Yom Kipur nos penitenciamos e, hoje em dia, buscamos valorizar o lado espiritual de nossas vidas’’.
Além do jejum, durante o Yom Kipur as famílias judias fazem diversas orações nas sinagogas. Tefila (oração), Teshuvá (retorno ou arrependimento sincero) e Tzedaká (justiça e amor ao próximo) são, segundo Feldman, as principais características do dia do perdão. O toque no Shofar – corneta de chifre de carneiro que representa sua similar bíblica responsável pela queda dos muros de Jericó – geralmente inicia e encerra o Yom Kipur, junto com a reza da Neilá .
A oração Yzkor , para recordar os mortos, e a reza de encerramento são considerados por Feldmam como os pontos mais emocionantes da celebração. Durante a Yzkor todos os jovens e pessoas com os pais ainda vivos se retiram da sinagoga. Esta oração é feita quatro vezes ao ano, sempre depois de um ano da morte. Ao final, com todas as famílias reunidas, reza-se a Neilá , ‘‘a última chance de pedir perdão’’. Atualmente, pouco mais de 700 famílias de judeus vivem no Paraná. A maioria delas, em Curitiba.

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