Amanhã, quando surgir a primeira estrela no céu, as cerca de 700 famílias judias do Paraná iniciam as comemorações do ano novo judaico (ou Rosh Hashaná). Os judeus celebram neste dia a passagem do ano de 5758 para 5759 da criação do mundo. ‘‘A diferença de datas com o calendário gregoriano é explicada pela forma como é feita a contagem dos dias, que no calendário judaico é regido pela rotação lunar,’’ explica o chazan Abraham Szmirewicz, que será o responsável pela condução da cerimônia.
Szmirewicz explica que as comemorações do ano novo reflete um período de introspecção do ser humano. ‘‘Os dez primeiros dias do ano são chamados de dias do arrependimento (ou Asséret iemê teshuvá), em que o homem busca refletir sobre os atos realizados durante todo o ano que passou’’, informa o chazan. Essa reflexão é provocada pelo toque do shofar - uma corneta feita com chifre de carneiro, representando a sua similar bíblica, responsável pela queda dos muros de Jericó.
Durante esses dez dias, a pessoa deve pesar seus atos positivos e negativos, que serão julgados por Deus no dia do Perdão (ou Iom Kipúr). ‘‘Quem revê as más-ações cometidas receberá o perdão divino’’, diz. Ele conta que entre os judeus ortodoxos é preservado o costume de realizar um jejum diurno (chamado de Tsom Guedalia).
O chazan informa que Rosh Hashaná, além de significar ano novo, tem outro sentido, que é cabeça do ano. Essa denominação lembra que o início da tradição judaica foi perpetuada na Torá (o antigo testamento) com a saída dos judeus do Egito.
As comemorações deste ano vão servir também para que a comunidade se prepare para recepcionar o novo rabino, depois de quatro meses de espera. Ele vem da Argentina, de uma comunidade vizinha a Buenos Aires. O rabino inicia as atividades no dia 2 de outubro, depois da realização de Iom Kipur.

mockup