Entre os jovens ouvidos pela FOLHA em escolas de Londrina, apenas um grupo afirmou que está atento ao risco de se infectar pelo vírus da Aids e que continua se protegendo mesmo depois do início do namoro. ''Mas a gente sabe de muitos que não fazem isso'', disse um dos adolescentes.
A falta de cuidado pode ser facilmente comprovada. Em um grupo de cinco garotas, entre 17 e 18 anos, a FOLHA encontrou três que já são mães. ''Eu e o pai da minha filha namoramos durante sete anos e nunca usamos camisinha. Eu confiava nele, por isso achava que não era preciso. Agora estou mais atenta, inclusive ao perigo de doenças'', garante uma das jovens mães.
Outra admite que usava preservativo só de vez em quando. ''Quando não tinha, ia sem mesmo.'' Hoje ela diz estar mais cuidadosa, mas assume que a maior preocupação é com uma nova gravidez. ''A maioria dos caras usa camisinha só por medo de engravidar'', confirma um dos rapazes do grupo. A mesma preocupação é revelada por um casal de namorados. Estudantes do ensino médio, eles namoram há oito meses e confessam que só recorrem ao preservativo por medo de uma gravidez indesejada.
Pesquisa de Conhecimentos, Atitudes e Práticas da População Brasileira de 15 a 64 anos de idade, realizada em 2008 pelo Ministério da Saúde, revelou alguns fatores que contribuem para o aumento da vulnerabilidade de adolescentes e jovens ao HIV. Entre eles estão a dificuldade no acesso à informação e à formação; o pouco reconhecimento de direitos sexuais e reprodutivos de adolescentes e jovens; os estigmas e preconceitos (de gênero, identidade de gênero, raça/etnia, orientação sexual, geração, viver com HIV/Aids, entre outros); pouco diálogo com as famílias, especialmente, sobre sexualidade; e baixa frequência de adolescentes e jovens nos serviços de saúde. (S.L.)

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