O dia-a-dia no presídio é feito de sol quadrado, grades e arrependimento. ''Se eu encontrasse hoje um moleque que está começando na vida do crime, eu o aconselharia a parar enquanto é cedo. Esse caminho só tem duas saídas: caixão ou cadeia. Às vezes tem que sofrer muito para aprender isso'', relata Ronaldo Reis dos Santos, 27 anos, preso por furto na Penitenciária Estadual de Londrina (PEL). No dia em que foi entrevistado pela Folha, ele saiu em livramento condicional após seis anos e cinco meses de prisão.
Alguns de seus outrora companheiros de carceragem terão que esperar semanas, meses ou anos pela mesma sorte. É tempo que não volta mais um sentimento de perda que costuma ser ainda mais forte entre quem vive a juventude, fase em que tudo é urgente e o amanhã parece tarde demais. Nas duas prisões de Londrina, a PEL e a Casa de Custódia (CCL), o número de presos com idade entre 18 e 30 anos supera a média estadual.
Na penitenciária, segundo números da direção da unidade, do total de pouco menos de 600 presos, 10% têm entre 18 e 20 anos; 28,9% têm entre 21 e 25 anos; e 26,6% estão na faixa etária entre 26 e 30 anos. Na CCL, que recebe detidos que aguardam julgamento, dos 422 internos, 345 têm entre 18 e 25 anos, e 15 têm entre 26 e 30 anos. As duas fatias representam, portanto, 85,3% do total de presos.
No universo do sistema prisional de todo o Estado, as proporções são diferentes. Segundo a estatística mais recente do Departamento Penitenciário (Depen), nas 16 unidades de regime fechado e semi-aberto do Paraná, administradas pelo governo estadual ou com gestão terceirizada, 25,10% do total de cerca de 8 mil internos têm entre 18 e 25 anos. Presos na faixa etária de 26 a 30 anos representam 25,43% do total de apenados.
''Há mais presos jovens porque pessoas nessa fase da vida muitas vezes são imaturas, não conhecem as consequências da prática de um delito. E se sentem atraídas pelo crime devido à falta de oportunidade, de emprego, de estudo'', opina Raimundo Hiroshi Kitanishi, diretor da PEL. Nos últimos anos, o tráfico de drogas suplantou o roubo como principal motivo para detenções de jovens. O aumento da população carcerária com idade entre 18 e 30 anos é apenas reflexo da atuação mais destacada de menores no teatro das drogas.
''É um processo que quase sempre tem início quando o jovem é adolescente. Ele começa como aviãozinho do tráfico, aí passa a roubar para comprar droga, e assim por diante. Hoje, é possível dizer que 90% da criminalidade entre jovens estão ligados ao tráfico de entorpecentes. E é um caminho que na maioria dos casos acaba em prisão ou morte. O tráfico estabelece a pena capital, que oficialmente não existe no Brasil'', afirma Tadeu José Migoto, diretor do Patronato Penitenciário de Londrina.
A pedagoga Kazuco Numata, que trabalha na PEL, diagnostica que nos últimos anos tem aumentado o número de condenações por tráfico de drogas, a população carcerária está cada vez mais jovem, o nível de escolaridade dos presos está subindo e a porcentagem de encarcerados oriundos de faixas sociais mais pobres está diminuindo. ''Isso indica que está ocorrendo um alastramento do crime, que é praticado por pessoas de diversos setores da sociedade'', descreve ela.
O Depen alega que o índice de reincidência nos presídios paranaenses é de 29%. Embora não haja estatísticas específicas por faixa etária, o diretor do departamento, coronel Justino Sampaio Filho, aponta que jovens voltam a cometer crimes com mais frequencia do que pessoas que passaram dos 30 anos.
''Isso porque muitos deles (jovens) vêem o furto, o assalto e o tráfico como meios de vida. Em muitos casos, quem pratica um homicídio não volta a cometer outro. A maior participação de jovens no crime é resultado de uma ausência de muito tempo do poder público. Ante a falta de perspectiva, muitos ficam tentados a aderir a práticas ilegais'', argumenta.

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