Jovens saem em passeata no Centro
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terça-feira, 11 de agosto de 1998
Anna Camanducaia 
Estudantes secundaristas e universitários fizeram manifestação ontem, no Dia do Estudante, para protestar contra a falta de preocupação com a educação e o desemprego. A concentração foi na Praça Santos Andrade, em Curitiba, de onde os estudantes saíram às 10h30, em direção à Boca Maldita. Nas esquina das ruas Marechal Deodoro e Marechal Floriano, eles sentaram no chão e fizeram um minuto de silêncio.
Segundo o presidente da União Paranaense dos Estudantes (UPE), Joel Benin, 1.500 pessoas participaram da passeata. Como nas manifestações que pediam o impeachment do então presidente Fernando Collor - que começaram em 11 de agosto de 1992 - muitos estudantes queriam mais festa do que protesto.
Ensino - Uma das principais reivindicações dos estudantes é a manutenção do ensino público gratuito. A melhoria da qualidade no ensino, o aumento de recursos para a educação e o investimento em pesquisas também foram assuntos do Dia do Estudante. Sobre as universidades particulares, a UPE quer que o crédito educativo passe dos 3,4% do último semestre para 10%, para ajudar os alunos que não podem pagar e diminuir a inadimplência.
Apesar de dizer que a UPE promoverá um debate com os candidatos às próximas eleições e que a União não defende nenhum deles, Benin afirmou que tem várias críticas ao governo estadual. Segundo ele, o governo teria dito que reapresentaria o projeto que prevê a cobrança de mensalidades nas universidades públicas estaduais, se ocorresse a reeleição. Não queremos isso.
Benin também criticou o governo federal. A um mês e meio das eleições, o governo lança o projeto Bolsa-escola, que garante um salário mínimo às famílias que mantiverem filhos na escola, disse Benin. Mas, daí, ele passa para os Estados e municípios financiarem parte do projeto. Sessenta por cento dos municípios não têm condições de manter o Bolsa-escola, então esse projeto é uma demagogia.
Ainda sobre educação, a UPE quer que a prefeitura financie o meio passe de transporte para os alunos secundaristas e universitários, para combater a evasão escolar. É um subsídio que cidades como Cascavel, Ponta Grossa e Londrina já têm.
O desemprego também foi um dos motivos da manifestação, segundo Benin. Nesses quatro anos, o índice de desemprego aumentou. Quando saem das universidades, os jovens não encontram opções de trabalho.


