O controvertido acidente interrompeu a vida de dois jovens admirados por suas famílias e populares em seus bairros. Moradores da região leste da cidade e amigos desde a infância, Neuro César Neves da Silva e Juciclei Clóvis Troian preparavam-se para consolidar a carreira de modelo fotográfico.
Troian, na época com 18 anos, trabalhava como pedreiro e era o mais promissor formando de um curso de modelo da cidade. Com notas altíssimas, teve o melhor aproveitamento da turma de 100 alunos. ‘‘Quando aconteceu o acidente ele era quase um profissional’’, conta a mãe.
De acordo com a guia de turismo, o filho passava os dias nas obras e às noites nos estúdios. ‘‘Aconselhado por pessoas do meio da moda, ele chegou a pensar em morar nos Estados Unidos. Mandou books (portifólio fotográfico usado pelos modelos) para agências de São Paulo e do Rio de Janeiro. Ele aguardava uma resposta ansioso’’, lembra a mãe.
Silva, na época com 19 anos, trabalhava como vendedor em uma loja de autopeças e também fazia pequenos trabalhos como modelo. ‘‘Eram dois meninos muito corretos. Trabalhavam, não bebiam, não fumavam, não usavam drogas e ajudavam em casa’’, relata a mãe, Vanderli. ‘‘Perder a vida assim e ainda aparecer como ‘‘os errados’’ da história é uma coisa muito injusta’’. A comerciante acredita que a ‘‘frouxidão’’ da antiga lei de trânsito também contribuiu para os supostos abusos cometidos pelos ocupantes da F-1000: ‘‘Com o rigor da nova lei, eles pensariam duas vezes para dirigir naquelas condições’’.
A mãe de Neuro César se refere, além da versão de que eles estariam dirigindo na contramão, aos rumores dos familiares dos ocupantes da F-1000. ‘‘Eles insinuaram algumas vezes que nossos filhos estavam bêbados e que haviam fumado maconha’’, desabafa.
As mães também se indignam com a frieza de Bendo, Zanolla e seus familiares. ‘‘Depois do acidente, num momento terrível para a gente, não ofereceram ajuda financeira nem apoio moral’’, reclama Teofanes. (L.F.M.)

AS DUAS VERSÕES
- Versão considerada definitiva era de que Neuro e Juciclei, usando um Fusca, teriam invadido a pista contrária e provocado a colisão, batendo de frente com a F-1000.
- Casal que testemunhou acidente diz que a colisão foi provocada pela F-1000, que transportava areia, estava com os faróis apagados e saiu de uma estrada rural invadindo a pista.
- Pela versão contestada, Fusca das vítimas trafegava no sentido de Foz do Iguaçu para Santa Terezinha de Itaipu e F-1000 era dirigida pelo agricultor Silvino Bendo.
- Versão apresentada por testemunhas é de que Fusca trafegava de Santa Terezinha de Itaipu para Foz do Iguaçu e quem dirigia a caminhonete F-1000 era o comerciante Ademir Zanolla.

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