Jovens protestam contra intolerância em Curitiba
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 15 de abril de 2009
André Amorim<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Dezenas de pessoas se manifestaram ontem, em Curitiba, contra a intolerância. O ato foi motivado por um episódio recente em que um aluno homossexual do curso de ciências sociais da Universidade Federal do Paraná (UFPR) foi brutalmente espancado por supostos skinheads (grupo de orientação neonazista), no último dia 23 de março. Os manifestantes saíram, em passeata, da Reitoria da UFPR e seguiram até a sede do Ministério Público Federal (MPF), no centro da cidade, onde foram recebidos pelo procurador-chefe da instituição, João Gualberto Garcez.
A manifestação contou com a participação da comunidade acadêmica e de outros grupos ligados à proteção dos direitos humanos, como a Antifa (associação antifascista) e o Núcleo de Estudos Afro-brasileiros, da UFPR. Segundo a professora Andréa Castro, uma das organizadoras da passeata, a intenção do movimento é articular o combate à intolerância de uma forma geral, como a que ocorre contra homossexuais, negros, prostitutas, índios e outras minorias étnicas e sociais.
Segundo um dos organizadores do evento, que preferiu não se identificar, alegando receio de represálias, dentre as reivindicações entregues ao MPF está a criação de um canal de denúncias para esse tipo de crime (no formato de um disque-denúncia) e que essas situações de agressão envolvendo skinheads sejam encaminhadas à Polícia Federal (PF) para investigação. "Até porque se trata de um crime federal", argumentou.
Em nota, a assessoria de imprensa do MPF informou que o procurador-chefe "se comprometeu a dar encaminhamento às denúncias dentro do Ministério Público Federal e a buscar o caminho mais adequado para combater com maior rigor os atos de intolerância."
A manifestação também teve como objetivo estimular as denúncias desse tipo de crime. Na opinião de Andréa, muitas vítimas têm vergonha de denunciar as agressões sofridas. Está programado, para o próximo sábado, outro ato público, desta vez, no calçadão da Rua XV de Novembro, com o propósito de, novamente, chamar a atenção da população para esses temas.


