Jovens prestam depoimento sobre protesto
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sexta-feira, 04 de julho de 2003
Luciano Augusto eEmerson Dias<br> Reportagem Local 
Durante a manhã de ontem, o delegado do 1º Distrito Policial (DP), Marcos Belinati, ouviu P.F.V., 16 anos, apontada por testemunhas como uma da líderes da manifestação ocorrida no dia 13 de junho, quando o deficiente visual Anderson Amaurílio da Silva, 21, foi atropelado por um ônibus da Transportes Coletivos Grande Londrina (TCGL), dentro do Terminal Urbano de Transporte Coletivo. Ele foi socorrido, mas faleceu 11 dias após o acidente.
A estudante disse que estava presente no Terminal Urbano naquele dia, mas negou que liderasse a mobilização. ''Formamos um grupo para sair do Vicente Rijo (colégio onde ela estuda) e nos juntamos com outros alunos do (Colégio) Hugo Simas para seguirmos ao Terminal'', disse P. durante o depoimento. ''O protesto era pacífico até o momento em que o Anderson foi atropelado.'' Segundo o delegado, ela afirmou que conhece o rapaz suspeito de ter empurrado o deficiente para baixo do ônibus. Mas garantiu que o rapaz não foi empurrado.
À tarde, Belinati ouviu mais dois estudantes secundaristas, G.A.H. (idade não informada), suspeito de ter participado na depredação de um ônibus, e J.G., de 16 anos, que teria liderado a mobilização. Também prestou depoimento o médico Marcos José Tarasewich, cirurgião torácico que atendeu Anderson. Segundo o delegado, G.A.H. confirmou que estava na manifestação mas negou que tivesse participado do quebra-quebra que ocorreu em seguida ao atropelamento. A adolescente J.G. negou que estivesse liderando o movimento.
O cirurgião relatou ao delegado que a maneira como Anderson foi retirado debaixo do ônibus não comprometeu a sua parte do atendimento. Ele apontou que o jovem teve esmagamento dos dois pulmões. Segundo Tarasewich, Anderson teria morrido em virtude de uma infecção provocada pela proliferação de uma bactéria que já existe no pulmão humano.
Belinati aguarda agora a conclusão dos laudos da necrópsia do Instituto Médico-Legal (IML) e da degravação de fitas com imagens captadas por emissoras de televisão que cobriram a manifestação. A perícia nas fitas deve apontar, segundo o delegado, se Anderson foi empurrado e quem o teria empurrado.


