Jovens pedem mais respeito no trânsito
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quarta-feira, 29 de outubro de 2014
Viviani Costa<br>Reportagem Local 
Londrina Adolescentes deitados sobre a faixa de pedestres da rua Professor João Cândido, no centro de Londrina, chamaram a atenção de quem passou pelo Calçadão na manhã de ontem. A encenação faz parte da campanha "Arte na Faixa" promovida pelo Colégio Sesi em parceria com a Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU). Os alunos lembraram motoristas e pedestres sobre a importância de se respeitar as leis de trânsito para evitar acidentes e mortes.
A encenação foi repetida diversas vezes. Ao deitar sobre o asfalto, os adolescentes prestaram uma homenagem às vítimas do trânsito. "Nós tivemos essa ideia e aprendemos muito nos últimos meses. É importante que as pessoas saibam que qualquer erro pode acabar em tragédia no trânsito", explicou Giovana Amorim Maciel, de 15 anos.
Cartazes com mensagens de conscientização também foram levados às ruas. O projeto começou a ser desenvolvido no mês passado com palestras e debates em sala de aula. Os estudantes criaram encenações curtas para despertar a curiosidade dos motoristas e pedestres. O professor do Colégio Sesi, João Artur Lara, ressaltou que o trabalho desenvolvido em sala de aula ajudou a conscientizar os futuros motoristas.
A faixa de pedestres ganhou cores e desenhos que retratam o dia a dia dos pedestres e ilustrações para estimular crianças e adultos a atravessarem corretamente. O agente Carlos Ribeiro foi um dos idealizadores do projeto. Ele atua na CMTU há quatro anos e é formado em Artes Visuais pela Universidade Estadual de Londrina. "Escolhi uma obra que chamasse a atenção das pessoas, que fosse bem colorida para que eles tivessem essa empatia com a obra. Se isso fizer com que uma pessoa a mais atravesse na faixa, já vai ter valido a pena", destacou. A pintura foi inspirada na obra do holandês Piet Mondrian. Ele executou o projeto durante a madrugada de segunda e de terça-feira com a ajuda da filha de 14 anos e de um primo.
O diretor de Trânsito da CMTU, Hemerson Pacheco, destacou que o Código Nacional de Trânsito admite inserções educativas desde que a sinalização não perca as características originais.
ESTATÍSTICAS
De acordo com Pacheco, do dia 1 de janeiro até 27 de outubro, foram registrados 306 atropelamentos na cidade, que resultaram em 17 mortes. Considerando todos os tipos de acidentes, 78 pessoas morreram neste ano no trânsito de Londrina. Segundo ele, várias medidas foram adotadas nos últimos meses e novas ações serão feitas até o início de 2015. "As faixas bicolores, desde a sua implantação (no final do ano passado), já reduziram em torno de 30% os índices de acidentes. Vamos estudar outros locais para implantar faixas, em frente a escolas e hospitais, por exemplo", adiantou.
ROTATÓRIA
Nas principais avenidas, tentar atravessar a faixa nos horários de pico representa um risco para os pedestres. A vendedora Michele Maria de Araújo reclamou da falta de respeito dos motoristas que passam pela rotatória da Avenida Dez de Dezembro, próximo à Rodoviária. "Acho que eles deveriam instalar semáforos aqui nesse cruzamento ou uma dessas faixas elevadas. Eu quase fui atropelada por aqui; o carro em uma das pistas parou, mas o outro continuou. Sorte que eu parei", disse.
Os motoristas Carlos Rodrigues e Luciano Santos também sentiram na pele as dificuldades enfrentadas pelos pedestres. "A gente só conseguiu passar porque foi entrando no meio dos carros", contou Santos.
O projeto "Arte na Faixa" deve ser estendido para outros pontos de Londrina em parceria com as escolas. A intenção também é reforçar as orientações no trânsito e a campanha "Pé na Faixa", lançada em 2009. "Vamos reforçar a pintura e a sinalização em toda a extensão da Avenida Dez de Dezembro e, em seguida, da Avenida Leste-Oeste. Estamos limpando as placas e substituindo as que estão muito danificadas. Mudamos a forma de fiscalização com a diversificação dos pontos com radar móvel. Nós trabalhamos com o que nós temos", explicou o diretor de Trânsito da CMTU.


